Jota Mombaça. The right of obscurity must be respected, 2017. (1)

Fala pública com a ensaísta e performer Jota Mombaça

Acontece
Terça, 08.08.2017

Arte e Ativismo na América Latina – ano II (2017)

Desmontando a caravela queer na vida após a morte do colonialismo

O contexto particular de emergência de um cânone queer no Brasil não pode ser pensado fora de uma analítica da colonialidade do saber, que evidencie o que a pensadora, performer e ativista chilena Hija de Perra certa vez descreveu como um efeito simultaneamente colonizador de “nosso contexto sudaca, pobre de aspirações e terceiro-mundista”, mas que perturba “os sujeitos encantados pela heteronorma”. Se queer coloniza perturbando, é porque adere ao processo histórico no qual as bases do projeto corpo-político da colonialidade, que predica a universalidade do sujeito eurobranco heteronormal (seu saber, sua política, sua performance e sua ontologia), colapsa. Mas qual o sentido das perturbações queer no contexto sempre já colonizado do mundo que conhecemos como Brasil (ex-colônia? Neo-colônia? Pós-colônia?), e em que medida, ao proliferar-se globalmente, os cânones queer não reestruturam a lógica das caravelas coloniais, servindo de suporte e plano de inscrição dos fantasmas do colonialismo no presente imediato do colapso da colônia? Como performar e pensar as desobediências de gênero e dissidências sexuais sem reestruturar lógicas elitistas que reencenem a situação colonial? Como desmontar a caravela queer? E como fazer vir as corpo-políticas mais-que-coloniais capazes de ultrapassar a vida após a morte do colonialismo e as supremacias branca, hétero e cisgênera rumo a outras formas de existir e de fazer mundo?

Jota Mombaça é uma bicha não binária, nascida e criada no Nordeste do Brasil, que escreve, performa e faz estudos acadêmicos em torno das relações entre monstruosidade e humanidade, estudos kuir, giros descoloniais, interseccionalidade política, justiça anti-colonial, redistribuição da violência, ficção visionária e tensões entre ética, estética, arte e política nas produções de conhecimentos do sul-do-sul globalizado. Trabalhos atuais são a colaboração com Oficina de Imaginação Política (São Paulo) e a residência artística junto ao Capacete 2017 na Documenta 14 (Atenas/Kassel).

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The forgotten “Santos” of Brazil.
Jota Mombaça para La Pocha Nostra.
Mar/2015. Foto: Ramilla Souza


ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA
é um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018). A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, workshops, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas. Nesta segunda edição (2017), o projeto tem como tema o CORPO e se estende de maio a outubro. Mais informações sobre o projeto, o tema deste ano e a programação completa, clique aqui.

Serviço

Fala pública com Jota Mombaça
– parte das ações e atividades do Arte e Ativismo na América Latina, ano II (2017)
Local: Despina | Largo das Artes (Rua Luis de Camões, 2 – Sobrado)
Quando: terça-feira, 8 de agosto
Horário: 19 horas
Entrada gratuita

 

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