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Arte e Ativismo na América Latina – ano II (2017)

Projetos
Ano II - 2017

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA é um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018).

A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, workshops, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas.

Nesta segunda edição (2017), o projeto tem como tema o CORPO e se estende de maio a outubro. Confira a seguir a programação.

PROGRAMAÇÃO ANO II


Maio e Junho

2 maio a 30 de junho
Corpo Presente – ocupação dxs artistas Lyz Parayzo e Rafael Bqueer.

27 de junho / 19h
Abertura da exposição: “Os corpos são as obras”. Curadoria: Pablo Leon de La Barra e Guilherme Altmayer. Com obras e registros de: Andiara Ramos, Ana Matheus Abbade, Aleta Valente, Anitta Boa Vida, Bruna Kury, Camila Puni, Carlos Motta, Coletivo Xica Manicongo, Eduardo Kac, Fabiana Faleiros, Fabio Coelho, FROZEN2000, Gabriel Junqueira, Kleper Reis, Lampião da Esquina, Lyz Parayzo, Maurício Magagnin, Matheus Passareli, Nathalia Gonçales, Odaraya Mello, Raquel Mützenberg, Ricardo Càstro, Tertuliana Lustosa, Turma Ok, Uhura Bqueer, Vagner Coelho, Ventura Profana & Jhonatta Vicente, Victor Arruda, Vinicius Rosa, Vítor Franco e Xanayanna Relux. Mais informações, por aqui.


Julho

01 de julho / 10.30h
Oficina com princípios básicos de autodefesa a partir da técnica tailandesa Muay Thai. Com os mestres Vagner Coelho e Fabio Coelho (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”). Mais informações, por aqui.

04 de julho / 16h
Performance: “Maiêutica”, com Raquel Mützenberg, no Largo de São Francisco. Subjetividades femininas: sobre a capacidade de renascer, de se re-parir (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”). Mais informações, por aqui.

04 de julho / 19.30h
Pós-pornografia: Cine Clube Despina. Curadoria de Andiara Ramos, Nathalia Gonçales e debate-papo com Kleper Reis e Érica Sarmet (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”). Mais informações, por aqui.

25 de julho / 19h
Noite dos corpos nus: naturismo. Cine Clube Despina exibe “A Nativa Solitária”, sobre Luz del Fuego, com Guilherme Altmayer. Fuxicu e ioga do cu, liberdade radical com Kleper Reis (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”).

27 de julho / 19h
NAVALHA: Manicure show com Ana Matheus Abbade, Uhura BQueer, Vinicius Pinto Rosa,Ventura Profana & Jhonatta Vicente, Frozen 2000, Gabriel Junqueira, Ricardo Càstro (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”). Mais informações, por aqui.


Agosto e Setembro

01 de agosto a 30 de setembro
Residência dos artistas selecionados para esta edição: Carlos Martiel, Cristiano Lenhardt e Mariela Scafati. Mais informações, por aqui.

04 de agosto / 20h
Finissage da exposição “Os corpos são as obras”: encontro com artistas e marcha para o “Turma OK” –  noite de bingo e show com os melhores da casa em homenagem a Luana Muniz. Mais informações, por aqui.

08 de agosto / 19h
“Desmontando a caravela queer na vida após a morte do colonialismo”.
Fala pública com Jota Mombaça. Mais informações por aqui.

15 de agosto / 19h
“Tornar-se um corpo”
Fala pública com Marta Dillon. Mais informações por aqui.

22 de agosto / 19h
Conversa pública com os artistas em residência Carlos Martiel, Cristiano Lenhardt e Mariela Scafati + performance “Lamento Kayapó”, com o artista cubano Carlos Martiel. Mais informações, por aqui.

26 agosto e 2 setembro
Circuitos de falas, escutas e trocas. Programação completa e horários, por aqui.

14 de setembro / 19h
Cine Clube Despina especial com curadoria do Cinema KUIR. Programação completa em breve.

21 de setembro / 19h
Abertura da exposição “Arte e Ativismo na América Latina – ano II, 2017” (exposição continua até 20 de outubro).

25, 26 e 27 de setembro
Workshops públicos e gratuitos com os artistas em residência Carlos Martiel, Cristiano Lenhardt e Mariela Scafati. Programação completa e horários em breve.


Outubro

5 e 19 Outubro / 19h
Cine Clube Despina especial com curadoria do Cinema KUIR. Programação completa em breve.

***

SOBRE O TEMA
por Consuelo Bassanesi e Bernardo José de Souza

I

A um só tempo, o corpo constitui a instância essencial de nosso vínculo com a natureza e a possibilidade mesma de transcendê-la, avançando assim rumo àquilo que as civilizações ocidentais entendem por esfera cultural ou segunda natureza. Por outro lado, este mesmo corpo (que fique claro, corpo = corpo + mente) está sempre a relembrar-nos de sua condição orgânica e perecível, muito embora nossa inteligência e capacidade de superação dos limites impostos pela biologia nos tenham levado a investi-lo tanto de qualidades simbólicas e de predicados políticos e morais, quanto de atributos externos à sua constituição primeira, quais sejam, um conjunto de tecnologias que parecem emancipar-nos – vale dizer, apenas parcialmente – de nossa inafastável natureza animal.

Ao longo da história, inscreveram-se nos corpos e suas biografias as marcas das tantas e sucessivas batalhas entre o homem e a natureza e entre o homem e o próprio homem. Mas a esta unidade básica de contato com o mundo, sucederam outras formas de articulação da espécie humana, estruturas avançadas na relação dos homens entre si, e deles com o ambiente no qual lograram desenvolver-se: bandos, tribos, sociedades e civilizações emergiram para conformar um corpo maior, capaz de fazer face ao conjunto de desafios impostos pelo medo e pelo risco da morte e da extinção.

Eis que à certa altura do processo civilizatório, o homem entendeu que poderia submeter outros homens ao seu próprio jugo através da força e do Estado, estabelecendo a partir de então relações desiguais de poder que não mais seriam afastadas do curso de nossa trajetória sobre o planeta. Na esteira dessas “conquistas”, muitos foram os povos, as raças, os gêneros e as culturas a serem subjugadas por certos grupos no afã de alcançarem as instâncias máximas de poder. E assim chegamos ao estágio atual, quando a arquitetura das relações humanas desobedece às leis da civilidade supostamente alcançada, ora nos remetendo, em ritmo de retrocesso, ao tempo em que vivíamos como povos bárbaros, submetidos à lei do mais forte, ora nos capturando nas solertes e insidiosas instâncias do biopoder.

II

O corpo foi domesticado. Cultura, religião, moral, política, sucessivas colonizações, gênero-normatizações, prisões e manicômios, psiquiatria, moda, medicina plástica, maquiagens virtuais e perfumarias afins, há muito vem determinando como o corpo deveria ser ou se comportar. Este corpo, via de regra, se apresenta como macho, branco, ocidental, produtivo, reprodutivo, são, eficiente, higienizado. E é esse mesmo corpo que produz – e é a partir dele que são construídas – as narrativas históricas totalizantes. Os demais corpos são inferiorizados, reprimidos, marginalizados, criminalizados. Poucos são os que nascem nesse corpo ideal, muitos outros tentam nele se encaixar, e há, ainda, aqueles que expõem seus corpos não convencionais de maneira frontal, aberta e radical.

Diante de um mundo em que moralismo e política estão cada vez mais vinculados, o que propomos é lançar luz sobre esses corpos radicais: o corpo negro, queer, transgressor, político, feminista, libertário, sujo, dissidente, amoral, pervertido, modificado, não binário. Corpos que são potentes e afirmativos. Corpos que resistem.

Procuramos por corpos e mentes rebeldes que, ao não se sujeitarem aos dispositivos de dominação construídos ao longo da história, carreguem uma força dinâmica e contestadora capaz de abalar, através de micropolíticas de resistência, as estruturas consolidadas de controle e subordinação. Procuramos por corpos-sujeitos para que novas narrativas – mais democráticas, transgressoras e multiculturais – sejam assim difundidas, amplificadas e, portanto, ouvidas.

 

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA (2017)
Concepção e direção do projeto: Consuelo Bassanesi
Concepção e desenvolvimento do tema: Consuelo Bassanesi e Bernardo José de Souza

Comunicação e documentação: Frederico Pellachin
Gestão Financeira e Jurídica: Clarice Goulart Correa
Produção: Pablo Ferretti
Comitê de Seleção (Programa de Residências): Consuelo Bassanesi, Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Confira aqui a cobertura completa da primeira edição do projeto, que aconteceu em setembro e outubro de 2016.

 

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