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Oficina-processo: Cartografia ativa de redes de cuidado e criação

Convocatória!
21 e 28/04 e 5/05

O quê?
Esta oficina-processo quer pensar a relação entre rede de cuidado e rede de criação a partir de uma perspectiva feminista e da atenção aos trabalhos reprodutivos. A cartografia ativa vai surgir de nossas relações, experiências e estratégias de cuidado e criação, compartilhando estratégias e pesquisando modos expressivos a partir do corpo e da improvisação. A oficina organiza três encontros de 5 horas cada, criando um processo coletivo de cartografia ativa e criação.

Como nos reproduzimos?
Esta pergunta será trabalhada nos encontros a partir de uma perspectiva feminista da reprodução social. Vamos realizar exercícios de improvisação a partir do Teatro do Oprimido e compartilhar leituras de textos feministas, de feministas negras, do feminismo interseccional e textos informados por um devir-mulher. A oficina quer criar um processo coletivo de maneira a pesquisar, perscrutar, participar e ativar redes de cuidado e criação. Diante das diversas opressões produzidas pelo sistema econômico, político e social, e diante do cenário da ‘crise’ que reinstala a alienação e a individualidade (da ordem do salve-se quem puder) deixando-nos impotentes, vamos escutar nossos desejos e explorar a capacidade da produção estética e do teatro experimental e da ação performática de abrir possibilidades para agir no real. Como reverter e antagonizar a captura de nosso potencial criativo, de nossos afetos e desejos? Fomentar redes de cuidado e criação pode ser um caminho? Fomentar essas redes é uma maneira de ativar passagens produtivas entre estética e política? Nessa oficina vamos compartilhar perspectivas feministas que querem recuperar a reprodução social como terreno de luta. A oficina-processo quer criar um espaço de escuta coletiva de todas trabalhando no sentido de ativar uma rede não orgânica de cuidados e de criação; quer inaugurar um espaço para aprender juntas, pesquisar, ensaiar, descansar e explorar nossas experiências e nossas estratégias; quer colocar em prática um espaço para a criação e para a pesquisa que não é meramente discursivo, mas corporal e grupalmente propositivo.

Diagrama político (contra-programa): (1) jogos e exercícios, narrativas pessoais e coletivas, coleta de histórias, exercícios coletivos de teatro invisível e teatro jornal; (2) leitura coletiva de textos e escuta de convidadas; (3) concepção de ações e ou performances para serem compartilhadas com público não participante da oficina.

Quem?
A oficina é gratuita e aberta a todxs, independentemente de formação e experiências prévias. 20 vagas serão oferecidas. Daremos prioridade para as manas, as sapatões, xs trans, as bis, as gays e não binárixs. Serão muito bem vindxs também pessoas sem qualquer experiência com produção artística e cultural. Além disso, 2 a 3 participantes não inscritos podem participar de encontros mediante contato prévio. Participantes que tiverem filhos podem trazê-los para a creche que vamos organizar (para crianças até 10 anos). A creche será um exercício de cuidado compartilhado durante os encontros, e as participantes podem propor atividades para as crianças. Se possível, cada participante deverá dedicar ao menos 2h dos 3 encontros para o cuidado das crianças. Participar da organização da creche é pré-requisito para participar.

Como se inscrever?
Envie um e-mail até dia 18 de abril para cursos@despina.org com o assunto “Inscrição Cartografia ativa de redes de cuidado e criação”seu nome e/ou como você quer ser chamadx, contato (e-mail, telefone, whatsapp), bio de até 10 linhas, e parágrafo com motivação pessoal de participação na oficina. Você pode inserir também links e informação sobre grupos e instituições com os quais você já trabalhou ou teve intimidade.

Cronograma
Inscrições até dia 18 de abril
Os selecionados serão informados por email no dia 19 de abril
Encontros aos sábados, nos dias 21 e 28 de abril e 5 de maio, das 13:00 às 18:00

Oficineira
Cristina Ribas é mulher e mãe. Trabalha como artista, pesquisadora e não muito frequentemente como curadora. Viveu alguns anos fora do Brasil realizando doutorado na Goldsmiths College University of London no qual escreveu sobre cartografia esquizoanalítica no Brasil e quatro grupos ou ferramentas de teatro. Tem mestrado pela UERJ no Instituto de Artes (2008). Em 2015 começou a praticar Teatro do Oprimido a partir de grupos auto organizados, e em intersecções com saúde mental e grupos feministas. Já concebeu vários projetos como catalizadora e organizou residências para artistas e diversos projetos interdisciplinares (desde meados de 2008). Procura provocar articulações entre práticas artísticas, produção de conhecimento e arquivos, e mais recentemente tem se envolvido com práticas e estudos feministas a partir de uma perspectiva feminista da reprodução social. Procura atuar de maneira transversal, a partir do campo da arte no encontro com outras práticas e instituições. Entre 2005 e 2009 desenvolveu a pesquisa Arquivo de Emergência, que em 2011 teve parte de seu acervo incorporado à plataforma on line aberta Desarquivo.org. Faz parte da rede de pesquisadores e artistas Conceptualismos del Sur. Em 2014 concebeu e realizou junto a um grande grupo o Vocabulário político para processos estéticos. A partir de 2015 desenvolve o Protocolo para Intersectar Vocabulários, uma proposta de oficina para trabalhar voz, corpo, improvisação e composição coletiva.

Esta oficina marca o início do 3º ano do Arte e Ativismo na América Latina, um projeto da Despina realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund. Cristina Ribas foi convidada para participar desta primeira fase do projeto e irá ocupar um ateliê de residência no nosso espaço durante o mês de abril.

Mais sobre a oficina-processo
A pergunta ‘como nos reproduzimos?’ traz consigo o conceito de reprodução social. Silvia Federici, junto de outras feministas, afirma que precisamos colocar na agenda do movimento a questão da reprodução social. Por reprodução social pode-se entender a maneira como a sociedade se reproduz, seus costumes, sua cultura, sua economia. A reprodução social mais distribuída está pautada na exploração dos trabalhos reprodutivos. Por trabalho reprodutivo entende-se o trabalho que sustenta a multiplicação ou manutenção da vida ela mesma. O sistema capitalista uniformizou o sistema de reprodução social, subsumindo culturas e outros modos de reprodução a seu modo de reprodução, ao ponto de fazer algumas formas desaparecerem. A reprodução social em geral, amplamente distribuída pelo sistema capitalista, está pautada na invisibilização e na não-remuneração dos trabalhos reprodutivos, portanto, na sua exploração.

A emergência do tema da reprodução social a partir de uma perspectiva feminista interseccional procura fomentar a interacialidade, a intergeracionalidade, e o contato entre diversos saberes, áreas e práticas. Elaborando esse tema, a oficina pode dar conta de criar um espaço de cuidado e criação e produção de estratégias de fortalecimento de grupos e lutas feministas. Em segundo plano, a oficina pode criar espaços para pensar e debater os efeitos da tal ‘crise econômica’, a perda dos direitos, a falência do estado e de várias instituições associadas a ele, assim como pode dar conta de acompanhar a emergência da constituição de estratégias, projetos, redes que vem tanto problematizar como re compor lacunas deixadas pelo recuo do estado, abrindo questões ligadas à potência de organização social e cultural. A ideia de grupo e não-grupo, relações institucionais e modos de organização social autônoma serão temas trabalhados.

Ao criar uma articulação entre improvisação (tendo como referencial jogos e cenas que podem ser criados a partir de teatro experimental e político) e redes de cuidado (tendo como referencial redes de cuidado tanto de trabalhos reprodutivos como redes de cuidado racial, interseccional, cultural, de saúde mental, de gênero, etc), essa oficina quer acirrar a relação entre ficcionalidade e realidade, entre invenção e repetição, desejo e necessidade, entre memória e possível … entre outros.

~ trazer à tona os desejos ~ trazer à tona os conflitos ~ organizar a precariedade ~ criar ~

***Ressalva***
A oficina-processo quer inaugurar um espaço de cuidado coletivo e auto-cuidado. Não serão tolerados quaisquer atos ou opiniões racistas, misóginos, transfóbicos, homofóbicos, lesbofóbicos, entre outros. Nos encontros vamos trabalhar a produção de uma ética de cuidado coletiva a partir de nossas experiências e de nosso desejo.