Podemos ser mais do que imaginamos ser

abril - julho 2022

Podemos ser mais do que imaginamos ser foi realizado com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através do Programa de Fomento à Cultura Carioca da Secretaria Municipal de Cultura, entre abril e julho de 2022.

O projeto ofereceu suporte financeiro e artístico para o desenvolvimento de sete performances inéditas criadas por jovens artistas LGBTQIA+ do Rio de Janeiro: Anis Yaguar, Cuini, Diambe da Silva, Sabine Passareli, Sumé Yina, Tuca e Vicente Baltar. Estas performances foram gravadas e posteriormente exibidas numa mostra itinerante, que percorreu diferentes regiões da cidade: Maré, em parceria com o Galpão Bela Maré e participação de Jean Carlos Azuos; Pequena África, com apoio da Lanchonete <> Lanchonete e participação de Jéssica Dutra; Taquara, em colaboração com o Cine Taquara e participação de Gleyser Ferreira; e no Centro, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, com participação de Sol Miranda.

Quatro eixos principais orientaram o projeto: 

– Intervir, apostando na potência de articulação entre as práticas artísticas e a disseminação de mediações sensíveis de pautas corpo-dissidentes;

– Conviver, criando mecanismos de partilha criativa que respeitem a autonomia criativa das artistas convidadas;

– Mediar, partindo de preceitos de educação popular e reconhecendo conhecimentos que transcendem as institucionalidades;

– Performar, entendendo todo o processo de desenvolvimento do projeto, desde a captação das imagens até as discussões públicas, como um ato performativo no mundo.

Acesse no canal do YouTube da Despina as documentações das sete performances

Ficha técnica

Realização: Despina

Artistas: Anis Yaguar, Cuini da Silva, Diambe da Silva, Sabine Passareli, Sumé Yina, Tuca Mello, Vicente Baltar.

Direção artística: Sabine Passareli e Vicente Baltar

Direção executiva: Julia da Costa

Direção financeira: Consuelo Bassanesi

Direção de fotografia e edição: Marina Benzaquem

Assistente de fotografia: Lucas Affonso

Sonoplastia: Julia da Costa e Renato Junior

Identidade visual: Julia Aiz

Tradução em libras: Daniel Monteiro Pereira

Apoio logístico: Vinicius Santos

Artistas convidadas:

Performance de Diambe da Silva: Cuini da Silva, Edna Toledo, Jamilly Marques, Marcus Souza, Sabine Passareli, Tuca Mello, Vicente Baltar

Performance de Vicente Baltar: Cuini da Silva, Joa Assumpção, Sabine Passareli

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GALERIA DE FOTOS (navegue pelas setas na horizontal)

zum zum auê – coletiva de coletivos

abril - julho 2022

A DESPINA, com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através do Programa de Fomento à Cultura Carioca da Secretaria Municipal de Cultura, tem o prazer de anunciar Zum Zum Auê – Coletiva de Coletivos, um projeto no campo das artes e do ativismo estético-político desenhado para suporte, visibilização, formação de rede, e auto-representação de coletivos formados por corpos que são historicamente subalternizados e suas narrativas apagadas, como pessoas LGBTQIA+, afrodescendentes, indígenas e mulheres.
O programa consiste em uma residência com duração de seis semanas, entre maio e junho de 2022, onde quatro coletivos de artistas, selecionados por convocatória aberta e através de comitê de seleção, farão parte de uma agenda que inclui suporte às práticas de cada grupo, ativações coletivas e eventos abertos ao público.
O suporte será estruturado a partir de cachê de participação, verba de produção, conversas com curadores/artistas educadores e encontros semanais de acompanhamento dos projetos. Zum Zum Auê também propõe uma agenda pública que abarca dois eventos: apresentação dos portfólios e pesquisas dos coletivos selecionados no início do projeto, e evento expositivo de encerramento no formato de ateliê aberto para apresentar os processos e trabalhos desenvolvidos ao público. Além disso, cada grupo irá propor uma ativação coletiva, resultando em quatro oficinas gratuitas.
Quatro curadores/artistas educadores irão participar do projeto formativo, com o seguinte programa:
– “Estratégias de arquivo e salvaguarda digital de histórias dissidentes”, com Guilherme Altmayer, pesquisador e professor adjunto da Escola Superior de Desenho Industrial UERJ, criador de Tropicuir – Arquivos Transviados.
– “Diversidade de saberes e articulação de práticas anticoloniais”, com Camila Rocha Campos, artista, pesquisadora e educadora.
– “Performance e coletividade, construindo o comum a partir da experimentação de intimidade e escuta”, com a artista e terapeuta Sabine Passareli.
– “Afeto na cidade, intervenções urbanas como proposições políticas de inclusão”, com
Jean Carlos Azuos, artista, educador e pesquisador.
Estes curadores/artistas também irão compor o comitê de seleção, ao lado de Consuelo Bassanesi, diretora do projeto e da Despina, e Naomi Savage, produtora de Zum Zum Auê.
Zum Zum Auê – Coletiva de Coletivos tem como principais objetivos:
– Apoiar, fortalecer e visibilizar a produção cultural de coletivos do Rio de Janeiro formados por corpos historicamente subalternizados como pessoas LGBTQIs, negras, indígenas e mulheres;
– Incentivar a formação de redes e trocas afetivas, políticas, sociais, e de produção artística entre os coletivos;
– Instrumentalizar e fornecer ferramentas para o desenvolvimento das práticas de cada coletivo através do programa de conversas com curadores/artistas educadores;
– Compartilhar práticas de criação através de quatro oficinas públicas gratuitas propostas pelos coletivos;
– Apresentar ao público o trabalho artístico de coletivos relevantes na cena cultural carioca;
– Pensar e promover o fazer artístico enquanto campo ampliado da cultura;
– Criar possibilidades de acesso público aos bastidores de processos criativos;
– Visibilizar as práticas e pautas contidas nas atuações dos coletivos e seus membros;
– Garantir a continuidade do trabalho da Despina e das profissionais que fazem parte da rede da Associação, expandindo o apoio financeiro para coletivos de artistas.

COLETIVAS SELECIONADAS: Anarca Filmes, Coletiva OcultasSlam das Minas RJTrovoa.

Programa de residências para artistas LGBTQIA+ (UK)

MAIO - JUNHO 2022

Plural é um programa de residência digital de quatro semanas para artistas LGBTQIA+ Britânicos ou que vivem no Reino Unido, realizado pelo British Council juntamente com quatro parceiros brasileiros: Despina, Instituto Mesa, Diversa Art and Culture e PretaHub.

As residências são autodirigidas pelo artista, com apoio e orientação da organização anfitriã. Os candidatos são convidados a propor uma ideia de projeto para ajudar a estruturar seu trabalho e tempo e serão incentivados a fazer conexões e explorar novas ideias.

Espera-se que os residentes apresentem trabalhos digitais (por exemplo, exposição online, performance, etc.) durante a residência e participem de atividades como workshops ou palestras. Além disso, os residentes são solicitados a documentar sua residência para compartilhar com o público.

Para mais informações e como se inscrever, visite o site do British Council Brasil (convocatória disponível somente em inglês).

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Wanja Kimani foi a artista selecionada pela Despina para o Artists in Residence do Programa Plural.
Wanja Kimani nasceu no Quênia e vive no Reino Unido. Seu trabalho flui entre performance, filme, texto e materiais têxteis. Movida por histórias sobre pessoas e lugares reais e imaginários, ela se insere em narrativas e usa seu corpo para explorar rituais, objetos e a paisagem rural.
O Artists in Residence é um programa on-line de residências artísticas na área da arte e cultura que tem como objetivo desenvolver ideias, experimentar novas práticas e criar conexões.
As demais artistas selecionadas e suas respectivas organizações brasileiras parceiras, são: Susan Thompson – Instituto Mesa (RJ), Annabel McCourt – Diversa (SP) e Jelly Cleaver – PretaHub (SP).

Mina Mana Mona

Ocupação e Feira Mina Mana Mona
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Mina Mana Mona é um projeto de ocupação coletiva, por mulheres cis e trans, do espaço da Despina como ateliê de produção e de experimentações de convivência durante outubro e novembro de 2021. Propomos articular colaborações, cruzamentos, construções comunitárias, redes de afeto e de geração de renda. Mais do que uma proposição, Mina Mana Mona é um exercício. O projeto foi finalizado com uma feira de artes e ativismos com 17 expositoras convidadas para participar: Aline Besouro, Amanda Seraphico, Anis Yaguar, Aya Ibeji, Cali Nassar, Consuelo Bassanesi e Marcela Fauth / Vem pra Luta Amada, Dri Simões, Ella Franz Rafa, Lanchonete <> Lanchonete, Lara Lima, Maria Palmerio, Mariana Paraizo, Mayara Velozo, Sabine Passareli, Sofia Skmma, Tapixi Guajajara, Yuki Hayashi / Fudida Silk. As cozinha ficou a cargo da KuzinhaNem, projeto de formação gastronômica vegana da Casa Nem. Outras edições da Feira Mina Mana Mona irão acontecer ao longo de 2022.

Novos itens no arquivo Compa

SETEMBRO 2021

Em 2020, a Despina foi contemplada com o subsídio previsto no Inciso II da Lei Aldir Blanc, destinado à manutenção de espaços artísticos e culturais que tiveram suas atividades interrompidas por força das medidas de isolamento social. Como contrapartida, havíamos previsto cinco oficinas em escolas municipais quando reabrissem. Naquele momento imaginávamos que em alguns meses isso seria possível. Diante do descontrole da pandemia no país, tivemos que adaptar nossa contrapartida para o formato digital.

Neste cenário, propomos a inserção de verbetes de artistas ativistas em Compa – Arquivo das Mulheres. Estes itens são o embrião de uma pesquisa que pretendemos realizar ao longo de 2022, mapeando as artistas ativistas em atividade no país. Nesta etapa inicial e embrionária, vamos inserir sete artivistas que trabalham em múltiplas linguagens. Agradecemos à Ana Lira, Indianarae Siqueira, Juliana Notari, Lara Lima, Marcela Fauth, Maya Inbar e Sabine Passareli pelo material – e pelas lutas.

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Conteúdo produzido como contrapartida do Inciso II da Lei Aldir Blanc, Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro/Secretaria Municipal de Cultura, Secretaria Especial de Cultura/ Ministério do Turismo e Governo Federal.

Compa – Arquivo das Mulheres

2020 - 2021

Com muita alegria que anunciamos que a Despina foi selecionada para receber patrocínio do Fundo Internacional de Ajuda do Ministério Alemão das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros: www.goethe.de/hilfsfondsAtravés deste apoio generoso, que chega num momento de profunda crise de saúde e institucional no Brasil, vamos realizar um projeto com o qual sonhamos há alguns anos.

Compa – Arquivo das Mulheres é o primeiro arquivo digital colaborativo brasileiro totalmente dedicado à memória, histórias, lutas, conquistas, iniciativas, micropolíticas e revoluções cotidianas das mulheres e do movimento feminista no Brasil. O arquivo se propõe a resgatar e disponibilizar publicamente e gratuitamente, por meio de site desenvolvido especificamente para o projeto, coleções e acervos de zines, panfletos, bandeiras, lambes, cancioneiros, camisetas, poesia, manifestos e demais registros e memorabilia que documentem, articulem e elaborem transdisciplinarmente essas narrativas e lutas em curso.

Além do arquivo visual, Compa – Arquivo das Mulheres também produz o podcast Compa, composto por entrevistas com mulheres que tenham um histórico reconhecido de atuação nos campos de luta das mulheres e disponível nas principais plataformas.

Compa se alinha e dialoga com projetos anteriores da Despina, por meio dos quais evidenciamos nossa disposição de trabalhar com narrativas e corpas invisibilizadas, nos lançando ao desafio de criar e executar projetos plurais, transdisciplinares e ativamente formadores nos campos das artes e do ativismo estético-político.

Conceitualmente, Compa (apelido para “companheira”, uma palavra carinhosa usada entre mulheres nas lutas) foi idealizado a partir de 3 pilares:

1 – O conceito de “history from below”, que olha para a história através da perspectiva das pessoas comuns, oprimidas, não conformistas e dos grupos marginais. Este projeto reconhece a importância de registrar a história de forma mais ampla e de colocar em protagonismo os conflitos que derivam da narrativa hegemônica, contada pelos grupos dominantes;

2 – O viés do feminismo interseccional, entendendo as lutas das mulheres como lutas contra opressões que se sobrepõem e que incluem para além do gênero questões raciais, de classe, de sexualidade e outras;

3 – O reconhecimento da coletividade enquanto um campo de atuação revolucionário e necessário não só ao projeto mas também a desenhos de mundo que sejam capazes de ressignificar a lógica excludente dominante.

Compa é um projeto da Despina com a colaboração da Lanchonete <> Lanchonete

Após o lançamento de Compa com o conteúdo inicial possibilitado por meio deste edital, em fevereiro de 2021, o arquivo segue vivo e sendo construído coletivamente através da colaboração de mulheres e movimentos que se sintam convocadas. Organizações, coletivos, movimentos de mulheres, ativistas e feministas independentes podem se registrar para disponibilizar seus acervos e materiais diretamente no arquivo, num esforço coletivo de arqueologia das memórias das mulheres no Brasil.

Corpos Estranhos

Agosto 2019

“Corpos Estranhos: o Rio de Janeiro continua lindo e opressor” é um projeto de formação e suporte no campo das artes e do ativismo estético-político desenhado para promover a visibilidade, capacitação e auto-representação de jovens artistas em condições de vulnerabilidade, entre elas pessoas trans, não binárias, indígenas e negras. Este projeto foi concebido como uma reação ao assassinato dx artista Matheusa Passareli e a partir da nossa permanente indignação diante da violência contra corpos historicamente submetidos a violações de direitos e a condições precárias. Durante o mês de agosto de 2019, o espaço da Despina funcionou como um centro de convivência e ativação coletiva, com um programa de residências e uma agenda pública de ações e encontros.

O Programa de Residências ofereceu:

  • Ateliê coletivo para 4 artistas que moram na região metropolitana do Rio de Janeiro
  • Suporte curatorial (encontros individuais e em grupo)
  • Encontros semanais para acompanhamento de projetos
  • Suporte administrativo e logístico
  • Bolsa de participação no valor de R$1.500 (mil e quinhentos reais) por artista
  • Verba para produção no valor de R$ 500 (quinhentos reais) por artista
  • Mostra final para apresentar os trabalhos e pesquisas desenvolvidos pelxs artistas durante a residência

Após convocatória aberta realizada durante os meses de abril e maio, nosso comitê de seleção trabalhou na apuração e análise das inscrições recebidas, tendo como norte a diversidade de corpos, subjetividades e práticas de mediação de sentidos e interlocuções com o público, além da afinidade das propostas com o conceito do projeto. Xs artistas selecionadxs para participar do programa de residências foram: Agrippina R. Manhattan, Iah Bahia, Jade Maria Zimbra e Linda Marina.

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SOBRE XS ARTISTAS

“Me chamo Agrippina R. Manhattan, sou artista, professora e travesti. Sinto que estas são as palavras que mais se aproximam daquilo que entendo por mim mesma. Me interesso em me interessar pelas coisas, desconfiar das palavras e entender o que já estava em mim antes delas. Me interesso em entender como esse mundo já existia antes de mim, como as coisas já foram organizadas e onde me insiro, minha experiencia é tanto única quanto banal, e pela infinidade do ser me conectando a tudo o que é maior. É isso que me interessa e creio que meu trabalho parta daí. Tenho muito desejo de reorganizar o mundo, destruir e criar, gênesis e apocalipse em 1,78 cm com longos cabelos negros.

Autoficção tornada imaginação se infiltrando no real, criei a mim mesma e posso criar o que for. Meu trabalho às vezes se materializa, me interesso muito por poesia, acho um jeito honesto de lidar com a mentira das palavras, as coisas ficam mais próximas do coração (isso mesmo é uma mentira, mas posso crer). Gosto de escutar, por mais que nem sempre consiga. Aprender leva tempo, ainda aprendo e quero aprender sobre tudo. Eu posso, faço parte. Saí de São Gonçalo no dia 17 de março de 2019, realizei ali um salto ontológico que nunca me pareceu sequer possível imaginar, parecia um sonho. Agora entendo que o sonho é real, ele é futuro, profecia e palavra. Acredito que quanto mais conhecer mais sonharei, e quando mais estiver junto com outras pessoas mais aprenderei. Por isso entendo hoje que a posição de professora se coloca como única possibilidade para o meu ser (entendendo ensinar como um processo de ensinar-aprender)”. Mais informações: http://agrippmanhattan.wordpress.com 

 

Iah Bahia, São Gonçalo (RJ). Formade em Design de Moda,  Estudou na Escola de Arte e Tecnologia Spectaculu e  na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.  Atualmente participa do Programa de Formação da Escola de Artes Visuais “Exercício Experimental da Liberdade”. Seu processo de pesquisa tem se desdobrado na experiência  “orgânica” nos centros urbanos repensando o lugar da natureza na cidade a partir da experimentação-intervenção e da ação do corpo e de materiais subprodutos da cultura do lixo. Também se interessa em pesquisar as variadas superfícies que cobrem o mundo como a pele, tecidos, cimentos, plásticos e as relações desses materiais na integração com os espaços.  Seu trabalho tem se dado na forma da imagem, videos, objetos, instalações e performances.  Mais informações: http://www.iahbahia.ml

 

Nascida e moradora do Jardim Catarina, São Gonçalo (RJ), Jade Maria Zimbra iniciou suas pesquisas artísticas no teatro e encontrou desdobramentos na música, na dança, nas artes plásticas, na poesia e no audiovisual, reunindo suas descobertas através de experimentações performáticas.

Por meio dessas diversas linguagens, a artista busca elos e diálogos com memórias ancestrais e futuristas, tensionando questões que atravessam e ultrapassam corpo-mente-espírito sob a perspectiva de gênero e raça.

 

Linda Marina nasceu no Jardim Apurá, periferia da Zona Sul de São Paulo, e mudou-se ainda nova com a sua família para Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde começou cedo a desenvolver suas primeiras ações artísticas e a movimentar seu entorno. Foi uma das integrantes do Movimento Nefelista, grupo de jovens que se reuníam para fortalecer a cena local na região, deixando uma marca registrada na produção artística da Zona Oeste. Dá um giro por vários cantos da cidade, estudando, fazendo e produzindo teatro. Em 2014, chega ao Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro e lá começa a fazer parte da UPAC – Universidade Popular de Arte e Ciência e a atuar no Teatro de DyoNises, ambos com sede dentro da ocupação artística Hotel da Loucura, projeto que transformou dois andares de enfermarias desativadas dentro do antigo Hospital Psiquiátrico Pedro II, conhecido inicialmente pelo terrível nome “Hospital das Alienadas” e atualmente chamado de Instituto Municipal Nise de Silveira, uma homenagem à doutora Nise da Silveira, que trabalhou no lugar e foi a precursora na humanização do tratamento psiquiátrico dentro do campus, deixando um grande legado que até hoje tem inúmeros desdobramentos.

Durante três anos atuou em diversas frentes dentro da proposta da UPAC, desenvolvendo inúmeras ações, e no período de um ano morou dentro do hospital, totalmente imersa na luta de transformação da lógica manicomial, que ainda se faz presente, hoje por meio da alta dopagem de medicação. É uma das criadoras do Jornal ReorgaNise – impresso pela luta antimanicomial – e que nasceu com o objetivo de ser um canal de comunicação para os internos do Hospital e de preencher um lugar de diálogo entre os arte-cientistas – interessados nas propostas de mudanças – e os que por inúmeros motivos fazem a manutenção da lógica manicomial, médicos e trabalhadores que não buscavam uma transformação nas formas de “tratamento da saúde mental”.

Formada em realização e produção audiovisual na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Linda possui uma formação interdisciplinar que passa por jornalista independente, atriz, performer, pesquisadora e cineasta. Atua também nas áreas de direção criativa, roteiro, produção, edição de vídeos e comunicação.

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Este projeto foi concebido pela Despina em colaboração com Sabine Passareli. Foi financiado através de uma doação organizada por Alexander e Chantal Maljers-van Erven Dorens em homenagem à Matheusa Passareli, que participou do projeto Bison Caravan Brasil, coordenado por Chantal e que aconteceu na Despina em março de 2017.

“Este projeto é para homenagear Matheusa, para nós um exemplo de amizade, inspiração e união de diferenças. Matheusa – com um espírito puro e aberto – juntou-se a nós no percurso de intercâmbio artístico da Bison Caravan Brasil em março de 2017. Foi um dos seus primeiros projetos artísticos. Aprendemos e rimos juntos e Matheusa floresceu no processo criativo, trabalhando em conjunto com muitos de nós, especialmente com Tanja Ritterbex. Na arte da performance, elas exploraram suas identidades e a fluidez de seus corpos. O espírito de Matheusa permanecerá em nossos corações e percorrerá os campos Elyseanos no núcleo do rebanho da Bison até o fim dos tempos.” (Chantal Maljers-van Erven Dorens)

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PROGRAMAÇÃO

ESTRANHOS MISTÉRIOS

A Escola de Mistérios se materializa na Despina abrindo os encontros públicos da Residência Corpos Estranhos. Durante três sextas-feiras, a partir do dia 9 de agosto (sempre a partir das 18 horas), experimentações sonoras serão ativadas. Estranhos Mistérios.

The category is.. voguing!

1º Encontro – 09.08
Pulva Cosmos
Quimera
Arcanjo Miguel

2º Encontro – 16.08
Marta Supernova
Quimera
Clarissa Ribeiro
Pulva Cosmos
Arcanjo Miguel

3º Encontro – 23.08
Dj Bout

A Escola de Mistérios surge no intuito de mediar diálogos entre aquelas que estudam os mistérios do som. Em formatos abertos e dinâmicos através dos encontros visamos fomentar a inserção e a diversidade no cenário musical carioca.

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EDUCATIVO // ESTRANHOS SABERES

Como parte da residência Corpos Estranhos, propõe-se a criação de uma escola aberta. Corpas não-cisgêneras, são convidades a partilhar seus saberes em aulas públicas a partir de DOIS EIXOS:

1) ensinar a TRANSgredir – entendendo a travestilidade como metodologia de ensino

2) uma imersão na cultura ballroom com 4 casas de vogue do estado do Rio de Janeiro ministrando conhecimentos para serem aplicados na prática no Ball Corpos Estranhos, no evento de encerramento da residência em 29 de agosto;

Agenda dos encontros

20/08
16:00 – Empreendedorismo Trans. Oficina com Andréa Brazil
19:00 – Vivência Cultura Ballroom – com Hernani Reis

21/08
16:00 – Como constranger a cisgeneridade // Alongar o corpo para desatar os nós. Aula/Oficina com Bianca Kalutor

22/08
16:00 – Oficina Fudidas Silk – com Yuki Hayashi e Kaete Clemente

23/08
19:00 – Vivência Cultura Ballroom – com Tai Mattos Cazul (HOUSE OF CAZUL) + Estranhos Mistérios

26/08
19:00 – Vivência Cultura Ballroom – com Cometas & Pulva (CASA DE COSMOS)

27/08
16:00 – Oficina dos Milagres. Aula com Walla Capelobo

28/08
19:00 – Vivência Cultura Ballroom – com Makayla Sabino (HOUSE OF IMPÉRIO)

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ESTRANHOS ENCONTROS // FECHAÇÃO

29.08

16:00
Oficina pública com Castiel Vitorino Brasileiro
“Arruda, para viver os mergulhos no Sol”
Vagas limitadas!

18:00
Roda de conversa
Com as manas das casas de vogue do Rio de Janeiro

19:00
Performances e ativações coletivas
Linda Marina
Jade Zimbra
Iah Bahia

21:00
Baile Corpes Estranhes
com Escola de Mistérios e grande elenco

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GALERIAS DE FOTOS
por Frederico Pellachin (galerias 1 e 2) e Consuelo Bassanesi (galeria 3)

GALERIA 1 > Processos, oficinas, ativações (navegue pelas setas na horizontal)

GALERIA 2 > Estranhos Encontros // Fechação (navegue pelas setas na horizontal)

GALERIA 3 > Oficina “Corpos Estranhos na Cidade” em parceria com o MAR – Museu de Arte do Rio (navegue pelas setas na horizontal)

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ANEXOS

Clique nas imagens abaixo para acessar os seguintes documentos em PDF:

IMAGEM 1 > textos críticos apresentados pelos curadores Guilherme Altmayer e Keyna Eleison, por ocasião da participação de ambos nos processos da Residência Corpos Estranhos.

IMAGEM 2 > ensaio-manifesto que serviu de inspiração para o projeto da Residência Corpos Estranhos –  “Trabalho de Vida”, apresentado por Matheusa Passareli em 2018 na UERJ, dentro do curso de Artes Visuais – disciplina História da Arte do Brasil II (professora Sheila Cabo).

1.

2.


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EQUIPE CORPOS ESTRANHOS

Concepção
Consuelo Bassanesi, Chantal Maljers-Van Erven Dorens, Sabine Passareli
Direção Executiva
Consuelo Bassanesi
Terapeuta Ocupacional
Sabine Passareli
Suporte Curatorial e Ativações
Guilherme Altmayer, Jean Carlos Azuos, Keyna Eleison, Lorran Dias
Registros, Documentação e Gestão de Comunicação
Frederico Pellachin
Gestão Administrativa e Financeira

Clarice Goulart Correa
Suporte Operacional
Pablo Ferretti
Manutenção, Montagem e Segurança
Alexandre R. de Oliveira
Agradecimentos
Andrea Brazil, Bianca Kalutor, Casa de Cosmos, Castiel Vitorino Brasileiro, Coletivo Fudidas Silk, Escola de Mistérios, Everton Silva, Exu, Hernani Reis, House of Cazul, House of Império, Lucine Adão da Silva, João Araió, Makayla Sabino, Melke, Priscila Alves, Santa Sarah Kali, Tai Mattos, Walla Capelobo.

Residência Corpos Abertos / Open Bodies Residency 2018

Setembro 2018

A Residência Corpos Abertos (Open Bodies Residency) é um programa especial concebido em conjunto pela Despina e The Fruitmarket Gallery, com o apoio do British Council e do Creative Scotland.

O programa reúne artistas brasileiros e escoceses que trabalham com performance e abordam nas suas práticas questões relacionadas a gênero e/ou sexualidade. O programa é dividido em duas partes. A primeira parte foi uma residência artística que aconteceu na Despina, no Rio de Janeiro, em setembro de 2018. Os artistas selecionados participaram de uma série de atividades, como conversas públicas, oficinas e evento de ateliê aberto. A segunda parte do programa aconteceu em fevereiro de 2019 durante o programa Open Out da The Fruitmarket Gallery, em Edimburgo, com  novas versões das performances e oficinas apresentadas pelos artistas escoceses no Rio, além da exibição de alguns trabalhos desenvolvidos por todos os artistas durante a residência.

Nesta primeira edição, os artistas selecionados foram Miro Spinelli (Brasil), Vinícius Pinto Rosa (Brasil), Henry McPherson (Escócia) e Stephanie Black-Daniels (Escócia). Durante o mês de setembro de 2018, os quatro artistas ocuparam ateliês de residência na Despina e desenvolveram suas pesquisas e projetos em sintonia com o novo ambiente e com as interlocuções propostas.

SOBRE OS ARTISTAS

miro_thumb

Miro Spinelli vive e trabalha no Rio de Janeiro (RJ). É mestre em Performance pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFRJ e atualmente investiga a performance e sua relação com a materialidade, a escrita e a dissidência. Desde 2014 desenvolve o projeto continuado e seriado Gordura Trans, que entre ações, fotografias, textos e instalações, já foi apresentado em diversas cidades brasileiras e no exterior. O projeto já teve a colaboração de artistas como Fernanda Magalhães, Jota Mombaça e Jup Pires.

 

Em 2017 Miro foi contemplado como bolsista, junto à artista Luisa Marinho, para uma residência na Biblioteca Andreas Züst, na Suíça, onde desenvolveram o projeto “Chupim Papers”. Sua produção é atravessada por temas como precariedade, abjeção, decolonialidade, política dos afetos e transgeneridades, tendo como foco o corpo e suas possíveis poéticas e políticas. Mais recentemente, tem se interessado em pesquisar como a performance, a partir de uma conexão radical com a matéria, pode gerar forças despossessivas sobre os sujeitos, criando possíveis contra ontologias.

Texto crítico, por Guilherme Altmayer

O artista Miro Spinelli desenvolve sua pesquisa artística a partir do próprio corpo e dos vestígios por ele deixado para pensar questões como abjeção e precariedade. Na série Gordura Trans, composta de ações performáticas (dezessete performadas até o momento), Miro promove o contato, de seu corpo nu, com diversos tipos de mídias como óleo de soja, graxa, manteiga e dendê. O material utilizado em cada ação é uma escolha política a partir do contexto social e geográfico em que está inserido. Envolto em substâncias oleosas, gordurosas, pegajosas, o artista se movimenta de forma imprevisível, com leveza e dificuldade, fundindo seu corpo ao espaço e estabelecendo uma relação com o público através da troca de olhares.

Nesta residência na Despina, o artista amplia seu campo de investigação, a partir da Gordura Trans (e para além dela), para experimentar o encontro de substâncias, em processos químicos, para a materialização de vestígios para além de seu corpo, porém dele indissociável. Utilizando como base muitos litros de óleo de cozinha de reuso, soda cáustica e água, o artista produz sabão, em grandes quantidades. Nosso senso comum nos faz pensar o sabão como símbolo de limpeza, de higienização. Porém, é com este sabão que o artista invade o espaço expositivo para manchar, sujar e se alastrar pelo cubo branco a partir de uma de suas esquinas. Uma mancha que remete à cor da pele, representativa de muitos tons. Peles que habitam corpos diversos, que provocam repensar discursos binários e higienizantes, borrando fronteiras (e esquinas) e abrindo fendas que dão a ver múltiplos outros lugares possíveis de estar no mundo.

* O curador e pesquisador Guilherme Altmayer acompanhou Miro Spinelli durante a sua residência na Despina.

 

vinicius_thumbVinicius Pinto Rosa vive e trabalha em Niterói (RJ). Atualmente, cursa bacharelado em Artes Visuais na Universidade Federal Fluminense e trabalha como assistente da artista mineira radicada no Rio de Janeiro Laura Lima. Sua prática incorpora questões que atravessam identidades e subjetividades na produção de objetos e instalações, tendo o próprio corpo como potência de imagem e ação, que por sua vez estabelece novas formas de relações, acessos e imagens do mundo e do outro. Realiza sua produção muito influenciado pelo universo de uma marcenaria (onde seu pai trabalha e onde acontece boa parte de sua vivência em ateliê).

Seus trabalhos atingem ao mesmo tempo campos da performance e do design, e questionam as construções, polarizações e linhas de binaridades já estabelecidas. Também revelam um hibridismo e uma multiplicidade de ativações e acessos que o corpo pode criar a partir de uma relação direta com o objeto. “Dispositivos” e “Baseline” são projetos que o artista vem desenvolvendo desde 2014 e que já foram apresentados em diversas galerias e espaços de arte brasileiros.

Texto crítico, por Raphael Fonseca

As práticas escultóricas e suas associações com o corpo humano são alguns dos interesses centrais no percurso recente de Vinícius Pinto Rosa. Com grande habilidade artesanal e experiência com acessórios e joalheira, o artista desenvolve peças usadas tanto para a decoração, quanto para a provocação dos usos normativos do corpo humano. Para essa residência na Despina, ele desenvolveu uma série de novos trabalhos feitos em papel que, içados no teto, anteriormente foram vestidos por sua anatomia e registrados fotograficamente. Nasce com esse registro um personagem entre o humano e pós-humano, pautado na experimentação dos materiais e na fragilidade dessa matéria que é a própria vida.

* O professor e curador Raphael Fonseca acompanhou Vinícius Pinto Rosa durante a sua residência na Despina.

 

henry_thumbHenry McPherson é um artista intermídia que vive e trabalha em Glasgow, Escócia. Sua prática em composição, improvisação e performance está ancorada na produção de partituras musicais mistas, performance planejada, composição em tempo real e prática interdisciplinar e cruzada, por meio da qual ele explora identidades pessoais e coletivas, tradições musicais e performativas. Seu trabalho está centrado no corpo-mente, no objeto-ponto como mediador, no tema da invocação, geração impulsionada, práticas artísticas queer e sustentáveis, ​​e significados de propriedade na improvisação gerada coletivamente.

Henry é membro fundador do coletivo de artes mistas “EAST” (Experimental Artists Social Theatre), da dupla de instrumentistas (piano) “KUI” e do trio de câmara “Savage Parade”. Nos últimos anos, tem colaborado com diversos grupos e artistas, como a BBC Scottish Symphony Orchestra, a BBC Scotland, Martyn Brabbins, o RedNote Ensemble, a Glasgow New Music Expedition, Garth Knox, Zilan Liao e o Ensemble Modern, da Alemanha. É graduado em composição pelo Royal Conservatoire of Scotland e entre os prêmios que recebeu, destacam-se: Dinah Wolfe Memorial Prize for Composition (2014); Scottish Opera’s Opera Sparks Competition (2016); the Patron’s Prize for Composition (2017); the BBC Scottish Symphony Orchestra Composition Club Prize (2017); the Harriet Cohen Memorial Music Award (2018). Também foi indicado para o primeiro Scottish Awards for New Music (2017). Residências que participou como bolsista incluem: Banff Centre for the Arts and Creativiy (CA, Alberta, The Creative Gesture: Collective Composition Lab for Music and Dance) e Skammdegi Residency and Festival (IS, Olafsfjördur).

Texto crítico, por Raphael Fonseca*

Musicista de formação, as experiências de Henry McPherson no campo das artes visuais costumam ter o som como ponto de partida. Práticas experimentais com instrumentos clássicos, edições de som com tempo extendido e cruzamentos entre a sala de concerta e o cubo branco tem interessado o jovem artista. Para a residência na Despina, ele realizou uma série de gravações dos sons de diferentes ambientes no Rio de Janeiro que são associados às culturas queer. Bares, pontos da prática do cruising, espaços para acolhimento e as ruas da cidade informaram o seu trabalho. Diferentes faixas foram criadas e estas podem ser escutadas individualmente dentro de um dos espaços mais íntimos da Despina – um dos três banheiros.

* O professor e curador Raphael Fonseca acompanhou Henry McPherson durante a sua residência na Despina.

 

stephanie_thumbStephanie Black-Daniels vive e trabalha em Glasgow, Escócia. Passou grande parte da sua infância e adolescência no Oriente Médio, onde iniciou seus estudos. Mais recentemente, completou seu doutorado em Artes Visuais, com especialização em Performance, na The Glasgow School of Art. Desde 2010, tem excursionado por festivais e galerias no Reino Unido, Alemanha, Lituânia, Finlândia e Estados Unidos. Em 2011, recebeu o Prêmio Athena pela New Moves International e National Review of Live Art, Glasgow. Stephanie foi orientada pela pioneira de “King Drag”, Diane Torr (1948 – 2017).

A sua minuciosa prática como moderadora de oficinas é vital para a maneira como faz, pesquisa e produz novos trabalhos. Seu mais recente workshop aconteceu no Glasgow Sculpture Studios, onde explorou a relação entre objeto e corpo através da performance. Stephanie está interessada em como um objeto pode mudar a sua interação e intimidade com os outros, criando pontuações visuais e poéticas que agem como uma chave dramatúrgica para o desenvolvimento narrativo de uma performance. Seu trabalho situa-se entre uma prática física e escultórica, cujos resultados performativos (ao vivo e documentados) combinam som, movimento, imagem, objeto, luz e vestuário. O seu comprometimento com a performance acontece a partir de um desejo de explorar a relação entre corpo e espaço, especialmente em torno do gênero e da sexualidade. Ela usa o corpo como uma ferramenta de medição e está interessada no “corpo estendido” e no “corpo como objeto” para trazer à tona questões em torno do “eu”, “o outro” e “o teatral”.

Texto crítico, por Guilherme Altmayer

A artista escocesa Stephanie Black-Daniels vem desenvolvendo sua pesquisa artística para pensar formas de expandir o corpo feminino a partir da criação de esculturas e dispositivos como vestimentas do corpo. Através destes dispositivos, a artista, em suas ações performáticas, busca explorar os limites do próprio corpo para pensar na fragilidade das relações entre corpo e espaço e suscitar questões de gênero e sexualidade a partir da fragilidade, castidade, sensualidade e selvageria, disparados através de suas práticas performativas. Sendo sua primeira visita ao Brasil, a artista se mostrou preocupada em escutar e ler o território que habitava, durante sua residência na Despina, e para tal, promoveu quatro oficinas-encontro denominados “Performando Mulheres na Cidade”, através de convocatória aberta apenas para mulheres e mulheres trans. A partir de propostas em torno de temas como rituais e selvageria, identidade e superfície, ritmos e sexualidade, os encontros, com duração de sete horas, se deram de forma individualizada com as quatro artistas participantes, garantindo intimidade para uma intensa troca de experiências, conhecimentos locais e de território e práticas performáticas. Conformaram-se aqui redes transatlânticas de alianças, de cumplicidades estético-políticas entre estranhamentos e afinidades de corpos e territórios expandidos.

* O curador e pesquisador Guilherme Altmayer acompanhou Stephanie Black-Daniels durante a sua residência na Despina.

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Galeria de Fotos I (navegue pelas setas na horizontal)
Processos, oficinas, evento de ateliês abertos (Despina, setembro 2018)
Fotos: Frederico Pellachin

Galeria de Fotos II (navegue pelas setas na horizontal)
Obras realizadas/apresentadas pelxs artistas  (Despina, setembro 2018)
Fotos: Frederico Pellachin

Galeria de Fotos III (navegue pelas setas na horizontal)
Programa Open Out (The Fruitmarket Gallery, fevereiro 2019)
Fotos: Chris Scott

Residência Corpos Abertos 2018

Um projeto
Despina
The Fruitmarket Gallery

Apoio
British Council
Creative Scotland

Concepção e Coordenação do Projeto
Consuelo Bassanesi
Iain Morrison

Comunicação, Produção e Documentação
Frederico Pellachin

Interlocução Curatotial
Guilherme Altmayer
Raphael Fonseca

Gestão Financeira e Jurídica
Clarice Corrêa

Agradecimentos
Alexandre de Oliveira, Iain Morrison & The Fruitmarket Gallery, British Council, Creative Scotland, Ricardo Kelsch, Jak Soroka, Hanna Tuulikki, Raphael Fonseca, Guilherme Altmayer, Lorena Pazzanese, Maíra Barillo, Maria Clara Contrucci, Manuela Maria, Paula Villa Nova, Marcelo Sant’Anna e Tetsuya Maruyama.

 

 

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Arte e Ativismo na América Latina – ano III (2018)

Ano III - 2018

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA é um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018). A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, oficinas, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas. Nesta terceira edição (2017), o tema escolhido foi Dissenso e Destruição.

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Apresentação do tema
por Consuelo Bassanesi e Guilherme Altmayer

Como um terremoto, práticas artísticas e ativistas, através de ações vanguardistas e revolucionárias, podem provocar rachaduras em estruturas tidas até então como inabaláveis. Há muito que formas discordantes de organização da vida coexistem – paralelas, clandestinas ou mesmo em conflito – com modelos normativos e dominantes.

Diante da imperfeição inconteste dos sistemas sociais e políticos em curso, embasados na desigualdade, indiferença e injustiça, que outras formas de sobrevivência serão possíveis a partir deste cenário distópico?

Propomos, alicerçados nesta pergunta, articular estratégias de ação confluentes para que seja possível a derrubada, o desmoronamento e a implosão das hegemonias: para pensar novos futuros.

Neste terceiro ano do projeto Arte e Ativismo na América Latina, lançaremos olhares sobre aquelxs que transformam descontentamento em ideias incendiárias e conspirações cotidianas, tendo como ferramentas de luta espaços de colaboração para a insurreição e configurações de redes de contraconduta.

Entre temas tão relevantes e urgentes como racismo, deslocamentos em massa, extermínio indígena, violência de gênero, notícias falsas, perseguições políticas, processos de normatização e moralização de corpos, discursos e práticas, serão bem vindas propostas em campos como inteligência artificial, criptomoedas, afrofuturismo, desconstrução da branquitude, hacktivismo, algoritmos, regulação de redes, ativismo jurídico, metodologias ativas de educação, saúde comunitária, espaços e sistemas alternativos de arte e cultura, práticas agrícolas alternativas, ficção especulativa, entre tantos.

Buscamos existências dissonantes, tensionamentos em curso, posicionamentos radicais; não como mera alegoria, mas como abertura de brechas nos sistemas operativos econômico, político e social. Contravenções que ofereçam alternativas para cohabitar o presente, em plena aceleração do processo de ruína, que já não suportamos mais contradizer sem contra-atacar.

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Os artistas selecionados para participar da residência desta edição foram a brasileira Ana Lira, a boliviana Danitza Luna e o chileno Felipe Rivas. Durante os meses de maio e junho, os três artistas ocuparam ateliês na Despina e desenvolveram suas pesquisas e projetos em resposta às novas interlocuções e ao novo ambiente. Também participaram de uma série de atividades, como conversas, seminários, oficinas, visitas a universidades públicas, entre outras ações. Ao final da residência, foram reunidas as pesquisas e processos dos três artistas na mostra “Dissenso e Destruição” (mais informações, incluindo texto crítico e registros por aqui).

Dois destaques da programação desta edição: o ato-intervenção “Noite Estranha: cuidado, convivência, agência”, concebido por Gabe PassareliMarta SupernovaClarissa Ribeiro e Lorran Dias, em diálogo com a vida, obra e poética de Matheusa Passareli (mais informações, incluindo textos críticos e registros, por aqui) e a Oficina-processo: cartografia ativa de redes de cuidado e criação, coordenada pela artista e pesquisadora Cristina Ribas (mais informações, por aqui).

Os custos de participação dos artistas e convidados foram totalmente cobertos pelo Prince Claus Fund como parte de seu Network Partnership Programme, do qual Despina faz parte.

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PROGRAMAÇÃO

ABRIL E MAIO

21, 28 abril e 5 maio / 13h
Oficina-processo: Cartografia ativa de redes de cuidado e criação. Com a artista e pesquisadora Cristina Ribas. Mais informações, por aqui.

1º maio
Início da residência dos artistas selecionados para esta edição: Ana Lira (Recife, Brasil), Danitza Luna (Bolívia) e Felipe Rivas San Martin (Chile).

17 maio / 19h
Conversa pública com Ana Lira, Danitza Luna e Felipe Rivas San Martin.

19, 22, 24, 26 e 29 maio; 5 e 7 junho  / horários variados
Oficina gráfica feminista “Nuestra venganza es ser felices” – com Danitza Luna. Mais informações, por aqui.

28 maio; 4, 11, 18 e 25 junho / 18h30
Oficina coletiva “Sobre um sentir insurgente” – com Ana Lira. Mais informações, por aqui.

30 maio / 19h
Noite estranha: Cuidado, Convivência, Agência
Ato-intervenção concebido por Gabe Passareli, Marta Supernova, Clarissa Ribeiro e Lorran Dias, em diálogo com a vida, obra e poética de Matheusa Passareli (mais informações, incluindo texto crítico e registros por aqui).

JUNHO

7 junho / 11h
Seminário público com Ana Lira, Danitza Luna e Felipe Rivas San Martín na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

14 junho / 19h
Abertura da exposição “Dissenso e Destruição”, reunindo as pesquisas e processos desenvolvidos por Ana Lira, Danitza Luna e Felipe Rivas San Martín durante o período de suas residências no Rio de Janeiro (mais informações, incluindo texto crítico e registros por aqui).

21 junho / 18h30
Oficina “Retrofuturismo Queer” com Felipe Rivas San Martín. Mais informações, por aqui.

22 junho / 18h30
Cine Clube Despina apresenta: “A 13ª Emenda” (Ava DuVernay, EUA, 100’, 2016) + roda de conversa com Luciane Ramos (Revista O Menelick 2° Ato) e Renata Codagan (Universidade das Quebradas) + visita guiada especial à exposição “Dissenso e Destruição” com Danitza Luna. Mais informações, por aqui.

23 junho / 15h
Lançamento do livro “Multitud Marica”, de Felipe Rivas San Martín + projeção de vídeos sexo-dissidentes.

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SOBRE OS ARTISTAS EM RESIDÊNCIA

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Ana Lira é uma artista e ativista brasileira que vive e trabalha em Recife (Pernambuco, Brasil). As suas experiências artísticas buscam discutir vivências políticas e ações coletivas como processos de mediação. Relações de poder e implicações nas dinâmicas de comunicação estão entre os seus principais interesses no desenvolvimento de projetos, que articulam narrativas visuais, material de imprensa, mídias impressas e publicações independentes. É especialista em Teoria e Crítica de Cultura e, nos últimos anos, também desenvolveu trabalhos independentes de pesquisa, curadoria, além de projetos educacionais articulados com projetos visuais. Participou de mais de sete coletivos durante duas décadas. É articuladora dos projetos educacionais Cidades Visuais, Entre-Frestas e Circuitos Possíveis, este último relacionado à elaboração de fotolivros e fotozines. Recebeu o Prêmio Funarte Arte Contemporânea 2015 pela exposição Não-Dito, que foi apresentada no MABEU/CCBEU em Belém (2017) e no Capibaribe Centro da Imagem, em Recife (2015). É autora do livro Voto, publicado pela editora independente Pingado Prés, em 2014 (1ª ed.) e 2015 (2ª ed. – traduzida), que hoje integra o acervo da Pinacoteca de São Paulo e a coleção de fotolivros do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, no Museu da UFPA (Belém do Pará). Também é pesquisadora em projetos audiovisuais – atualmente está iniciando uma pesquisa para o projeto Terrane, uma narrativa visual sobre as mulheres pedreiras do semiárido brasileiro, a partir da experiência da Casa da Mulher do Nordeste. Durante a sua residência na Despina, Ana procurou investigar as relações e dinâmicas entre visibilidade e poder, por meio do mapeamento de saberes e compartilhamento de informações-em-cultura que não passam pelos grandes circuitos de comunicação. A artista coordenou a oficina “Sobre um sentir insurgente”, que aconteceu no nosso espaço durante 5 segundas-feiras. Mais informações, por aqui.

 

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Danitza Luna é uma mulher feminista boliviana, cartunista e designer gráfica, que vive e trabalha em La Paz. É formada em Artes Visuais pela Universidad Mayor de San Andrés, com especialização em escultura. Desde 2011, integra o movimento político anarco-feminista “Mujeres Creando”, uma das plataformas de arte e ativismo mais importantes e influentes do seu país, que desenvolve projetos artísticos de intervenção e performance em espaços públicos, além de oficinas de arte e serigrafia e programas educacionais em universidades e sindicatos de mulheres. Dentre as exposições recentes que participou como parte do movimento, destaque para a mostra “Muros Blandos”, no Museu da Solidariedade Salvador Allende, em Santiago do Chile (2017), onde desenvolveu, junto com as artistas Esther Angollo e Maria Galindo, uma série de murais provocativos e irônicos que ressaltaram algumas polêmicas políticas e religiosas. Já em 2016, desenvolveu especialmente para a Bienal Internacional de Artes da Bolívia (também com Esther e Maria) os projetos de intervenção pública “Altar Blasfemo” e “Escudo Anarco-Feminista Antichauvinista”, que ocuparam o muro externo do Museu Nacional de Arte da Cidade de La Paz. E em 2015, participou do Encontro Internacional de Arte de Medelín – “Historias Locales / Prácticas Globales”, na Colômbia, onde ministrou com demais membros do coletivo a oficina de serigrafia “Grafica Feminista, No acepto ser cosificada”, no Museu de Antioquia. Os resultados dessa experiência foram exibidos em um mural público na ruas de Medelín. Durante a sua residência na Despina, Danitza coordenou uma oficina gráfica feminista gratuita, dividida em sete encontros. Os resultados gráficos dessa experiência coletiva foram compilados em uma memória impressa com tiragem gratuita. Mais informações, por aqui.

 

felipe_inner4Felipe Rivas San Martín é um artista e ativista chileno, que vive e trabalha em Valência, Espanha, onde atualmente é bolsista de doutorado na Comissão Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, CONICYT, da Universidade Politécnica de Valência (UPV). É mestre em Artes Visuais pela Universidade do Chile. Sua produção artística compreende pintura, desenho, performance e vídeo em confluência com a imagem tecnológica (interfaces virtuais, codecs digitais). É co-fundador do Coletivo Universitário de Dissidência Sexual, CUDS, plataforma de ativismo que participa desde 2002. Dirigiu as revistas de crítica e cultura queer “Torcida” (2005) e Disidenciasexual.cl (2009). Rivas vincula ativismo e produção artística com pesquisa, texto e curadoria relacionados à arte, política e tecnologias, teoria queer, pós-feminismo e performatividade. Durante a sua residência no Rio de Janeiro, Felipe irá apresentar questões que transitam por sua pesquisa, como as tecnologias disciplinares e de controle às quais os corpos homossexuais são submetidos. Para tanto, pretende utilizar como foco inicial o caso dos homossexuais do Rio de Janeiro nos anos 30 do século passado, quando serviram de objeto de estudo para o livro “Homossexualismo e Endocrinologia” (Leonidio Ribeiro, 1938). Essas técnicas foram atualizadas com a nova lógica de dados e algoritmos computacionais, incluindo projetos que visam identificar a orientação sexual de pessoas com base em análises biométricas e algorítmicas. A noção de “dados” tem um duplo sentido: de um lado, refere-se aos dados, isto é, ao fenômeno da “informatização da sexualidade”. Por outro lado, “dados” refere-se ao tempo. Segundo Felipe, essas tecnologias de poder vão além do tempo e forçam o ativismo a pensar sobre a temporalidade das lutas. Daí surge a sua proposta de um ” Retrofuturismo Queer “, como uma metodologia para abordar esses problemas do ativismo atual diante das tecnologias do poder. “Retrofuturismo Queer” pretende projetar o futuro do poder e das lutas maricas, através de um olhar sobre o passado de enfrentamentos e experiências de violência.

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GALERIA DE FOTOS 1 (navegue pelas setas na horizontal)
Programa de residências, encontros, conversas, seminários, oficinas, etc.
Fotos: Frederico Pellachin

GALERIA DE FOTOS 2 (navegue pelas setas na horizontal)
Noite Estranha: Cuidado, Convivência, Agência
Fotos: Denise Adams

GALERIA DE FOTOS 3 (navegue pelas setas na horizontal)
Exposição “Dissenso e Destruição”
Fotos: Denise Adams e Frederico Pellachin

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA – ANO III (2017)

Concepção e direção do projeto
Consuelo Bassanesi

Concepção e desenvolvimento do tema
Consuelo Bassanesi e Guilherme Altmayer

Interlocução Curatorial
Bernardo José de Souza, Guilherme Altmayer, Guilherme Marcondes e Leno Veras

Produção, Comunicação e Documentação
Frederico Pellachin

Gestão Financeira e Jurídica
Clarice Goulart Correa

Assistente de Produção
Pablo Ferretti

Comitê de Seleção (Programa de Residências)
Consuelo Bassanesi, Bernardo José de Souza, Pablo León de la Barra

Noite Estranha (Equipe Curatorial)
Gabe Passareli, Marta Supernova, Clarissa Ribeiro, Lorran Dias

Logomarca e Design Gráfico (publicação)
Pablo Ugá

Fotos (Exposição e Noite Estranha)
Denise Adams

Agradecimentos
Aldo Victorio Filho, Alexandre R. de Oliveira, Alexandre Sá, Bertan Selim, Coletivo Corpo-Terra, Denise Espirito Santo, Luciana Ramos-Silva, Renata Codagan, PUC-RJ, Prince Claus Fund, Sandra Benites.

 

 

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Senado Tomado

Todo mês

SENADO TOMADO é a noite mensal de ateliês abertos da Despina, que combina uma série de eventos, tais como conversas, performances, pocket-shows, mostras de residência e ensaios expositivos, além, é claro, de todos os ateliês do espaço abertos à visitação pública. Acompanhe nos links abaixo todas as edições.