Programa de Intercâmbio – British Council

2017 - 2018

British Council selecionou um projeto de colaboração entre a Despina e a Fruitmarket Gallery (localizada em Edimburgo, Reino Unido) para participar do seu Exchange Programme – Programa de Intercâmbio em 2017/2018.

Este programa incentiva a colaboração através da troca de conhecimentos e melhores práticas para o desenvolvimento do setor cultural, fornecendo recursos às instituições para promover a capacitação das equipes de profissionais e aumentar a compreensão intercultural, resultando em parcerias.

British Council buscou candidaturas interessadas no intercâmbio mútuo de profissionais de instituições do Brasil e do Reino Unido, permitindo que os selecionados desenvolvam uma residência com a instituição parceira ou universidade por um período mínimo de duas semanas e máximo de um mês. Foram mais de doze projetos colaborativos contemplados; conheça as demais organizações selecionadas por aqui.

1ª FASE

The Fruitmarket Gallery > Despina

A primeira fase do Programa de Intercâmbio do British Council aconteceu em setembro de 2017, com a chegada de Iain Morrison ao Rio de Janeiro. Iain é gerente de empreendimentos da The Fruitmarket Gallery, responsável pela atividade comercial e pelas ações multi-plataformas da instituição. Durante o período em que esteve no Rio de Janeiro, Iain acompanhou praticamente todas as atividades realizadas pela Despina, em especial o projeto Arte e Ativismo na América Latina, que conta com o suporte do Prince Claus Fund.  Aqui emerge o interesse da The Fruitmarket Gallery em compartilhar as suas experiências na esfera da arte e da política, além de identificar formas com que recebemos públicos marginalizados (migrantes, população LGBT, etc.) e de que maneira respondemos às suas expectativas. Nesse sentido, a vivência de Iain no dia-a-dia da Despina foi de extrema relevância para a sua compreensão do atual contexto político brasileiro, tendo como referência o circuito de arte independente da cidade.

Iain também visitou outras instituições e espaços de arte no Rio de Janeiro, tais como: Museu de Arte Moderna (MAM), Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, ArtRio Feira Internacional – Marina da Glória, Athena Contemporânea, Casa Museu Eva Klabin, Solar dos Abacaxis, Projeto FOZ, Galeria Nara Roesler, Fabrica Behring, A Gentil Carioca, Capacete, Galpão Bela Maré e Carpintaria. Além disso, visitou ateliês de importantes artistas locais – Laura Lima, Cadu, Marcos Chaves, Carlos Zilio – e também participou de encontros com curadores – Pablo Leon de la Barra (MAC), Pablo Lafuente (freelance, previously São Paulo Biennial), Bernardo da Souza (Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre), Ulisses Carrilho (Parque Lage), Luiza Mello (Galpão Bela Maré) e  Julia Baker (MAR).

Na sua última semana no Rio, aconteceu uma noite especial de conversas na Despina, que também contou com a participação do curador Victor Gorgulho e do artista Cristiano Lenhardt.  Durante o evento, Iain apresentou as ações da The Fruitmarket Gallery para o público e compartilhou a sua experiência na organização de eventos ao vivo que ocorrem em torno dos projetos expositivos da instituição. Também falou sobre o seu interesse particular no nosso projeto Arte e Ativismo na América Latina, bem como sobre a sua experiência no Programa de Intercâmbio do British Council. Ao final, recitou um poema. Vale destacar que Iain também é músico e poeta; atualmente está escrevendo uma série inspirada em conversas realizadas em galerias de arte e que responde à maneira como nos agrupamos e aprendemos através da participação na vida de um espaço. Este projeto faz parte de uma residência que ele participa na Galeria John Hansard, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

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2ª FASE

Despina > The Fruitmarket Gallery

A segunda fase do Programa de Intercâmbio do British Council aconteceu em dezembro de 2017 com a visita da diretora artística e de projetos da Despina, Consuelo Bassanesi, à The Fruitmarket Gallery, localizada em Edimburgo (Reino Unido). A participação da Despina nesse intercâmbio priorizou duas frentes de interesse: (1) imersão no funcionamento e conceito da The Fruitmarket Gallery, com conversas sobre parcerias possíveis e (2) entendimento da cena cultural e artística escocesa, especialmente relacionada a espaços independentes ou geridos por artistas. Uma serie de visitas a espaços independentes, galerias e instituições foi realizada durante a estadia em Edimburgo. Além dessa agenda de visitas, foi central acompanhar o dia-a-dia e a dinâmica da The Fruitmarket Gallery.

As trocas e os encontros são importantes para a Despina e têm sua força justamente na rede que se cria, nas pontes entre lugares e iniciativas que permanecem como possíveis parceiros e colaboradores para além do tempo de intercâmbio. Muito se realiza em rede nesse meio independente e ampliar conexões é essencial.

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Arte e Ativismo na América Latina – ano II (2017)

Ano II - 2017

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA é um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018). A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, oficinas, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas. Nesta segunda edição (2017), o tema escolhido foi Corpo.

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Apresentação do tema
por Bernardo José de Souza e Consuelo Bassanesi

I
A um só tempo, o corpo constitui a instância essencial de nosso vínculo com a natureza e a possibilidade mesma de transcendê-la, avançando assim rumo àquilo que as civilizações ocidentais entendem por esfera cultural ou segunda natureza. Por outro lado, este mesmo corpo (que fique claro, corpo = corpo + mente) está sempre a relembrar-nos de sua condição orgânica e perecível, muito embora nossa inteligência e capacidade de superação dos limites impostos pela biologia nos tenham levado a investi-lo tanto de qualidades simbólicas e de predicados políticos e morais, quanto de atributos externos à sua constituição primeira, quais sejam, um conjunto de tecnologias que parecem emancipar-nos – vale dizer, apenas parcialmente – de nossa inafastável natureza animal.

Ao longo da história, inscreveram-se nos corpos e suas biografias as marcas das tantas e sucessivas batalhas entre o homem e a natureza e entre o homem e o próprio homem. Mas a esta unidade básica de contato com o mundo, sucederam outras formas de articulação da espécie humana, estruturas avançadas na relação dos homens entre si, e deles com o ambiente no qual lograram desenvolver-se: bandos, tribos, sociedades e civilizações emergiram para conformar um corpo maior, capaz de fazer face ao conjunto de desafios impostos pelo medo e pelo risco da morte e da extinção.

Eis que à certa altura do processo civilizatório, o homem entendeu que poderia submeter outros homens ao seu próprio jugo através da força e do Estado, estabelecendo a partir de então relações desiguais de poder que não mais seriam afastadas do curso de nossa trajetória sobre o planeta. Na esteira dessas “conquistas”, muitos foram os povos, as raças, os gêneros e as culturas a serem subjugadas por certos grupos no afã de alcançarem as instâncias máximas de poder. E assim chegamos ao estágio atual, quando a arquitetura das relações humanas desobedece às leis da civilidade supostamente alcançada, ora nos remetendo, em ritmo de retrocesso, ao tempo em que vivíamos como povos bárbaros, submetidos à lei do mais forte, ora nos capturando nas solertes e insidiosas instâncias do biopoder.

II
O corpo foi domesticado. Cultura, religião, moral, política, sucessivas colonizações, gênero-normatizações, prisões e manicômios, psiquiatria, moda, medicina plástica, maquiagens virtuais e perfumarias afins, há muito vem determinando como o corpo deveria ser ou se comportar. Este corpo, via de regra, se apresenta como macho, branco, ocidental, produtivo, reprodutivo, são, eficiente, higienizado. E é esse mesmo corpo que produz – e a partir dele que são construídas – as narrativas históricas totalizantes. Os demais corpos são inferiorizados, reprimidos, marginalizados, criminalizados. Poucos são os que nascem nesse corpo ideal, muitos outros tentam nele se encaixar, e há, ainda, aqueles que expõem seus corpos não convencionais de maneira frontal, aberta e radical.

Diante de um mundo em que moralismo e política estão cada vez mais vinculados, o que propomos é lançar luz sobre esses corpos radicais: o corpo negro, queer, transgressor, político, feminista, libertário, sujo, dissidente, amoral, pervertido, modificado, não binário. Corpos que são potentes e afirmativos. Corpos que resistem.

Procuramos por corpos e mentes rebeldes que, ao não se sujeitarem aos dispositivos de dominação construídos ao longo da história, carreguem uma força dinâmica e contestadora capaz de abalar, através de micropolíticas de resistência, as estruturas consolidadas de controle e subordinação. Procuramos por corpos-sujeitos para que novas narrativas – mais democráticas, transgressoras e multiculturais – sejam assim difundidas, amplificadas e, portanto, ouvidas.

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Esta segunda edição do projeto Arte e Ativismo na América Latina teve início em maio de 2017, com uma primeira ação de ocupação intitulada “Corpo Presente”, que contou com a participação dxs artistas brasileirxs Lyz Parayzo e Rafael Bqueer. Em seguida, no final de junho, abrimos a exposição “Os corpos são as obras” – com curadoria de Guilherme Altmayer e Pablo León de la Barra -, que reuniu mais de 30 artistas e coletivos, além de uma programação extensa de oficinas, performances e cine clubes. Em agosto, começou a residência dos artistas selecionados para essa edição: Carlos Martiel (Cuba), Cristiano Lenhardt (Brasil) e Mariela Scafatri (Argentina). Durante dois meses, a ideia foi trabalhar em uma variedade de modos informais de educação, como oficinas, seminários, visitas a escolas / universidades, ações performáticas e uma exposição. Além disso, uma série de eventos públicos aconteceu simultaneamente ao período da residência, com a participação da escritora e performer Jota Mombaça, da jornalista e ativista Marta Dillon, entre outros artistas e coletivos locais. Os custos de participação dos artistas residentes e convidadxs foram totalmente cobertos pelo Prince Claus Fund como parte de seu Network Partnership Programme, do qual Despina faz parte.

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PROGRAMAÇÃO

MAIO E JUNHO

2 maio a 30 de junho
Corpo Presente – ocupação dxs artistas Lyz Parayzo e Rafael Bqueer.

27 de junho / 19h
Abertura da exposição: “Os corpos são as obras”. Curadoria: Pablo Leon de La Barra e Guilherme Altmayer. Com obras e registros de: Andiara Ramos, Ana Matheus Abbade, Anitta Boa Vida, Biancka Fernandes, Bruna Kury, Camila Puni, Carlos Motta, CasaNem, Coletivo Xica Manicongo, Eduardo Kac, Evelyn Gutierrez, Fabiana Faleiros, Fabio Coelho, FROZEN2000, Gabriel Junqueira,  Indianare Siqueira, Katia Flávia, Kleper Reis, Lampião da Esquina, Luana Muniz, Lyz Parayzo, Maurício Magagnin, Mayara Velozo, Matheusa Passareli, Nathalia Gonçales, Odaraya Mello, Raquel Mützenberg, Ricardo Càstro, Tertuliana Lustosa, Turma Ok, Uhura Bqueer, Vagner Coelho, Ventura Profana & Jhonatta Vicente, Victor Arruda, Vinicius Rosa, Vítor Franco, Wescla Vasconcellos e Xanayanna Relux. Mais informações, por aqui.

JULHO

01 de julho / 10.30h
Oficina com princípios básicos de autodefesa a partir da técnica tailandesa Muay Thai. Com os mestres Vagner Coelho e Fabio Coelho (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”).

04 de julho / 16h
Performance: “Maiêutica”, com Raquel Mützenberg, no Largo de São Francisco. Subjetividades femininas: sobre a capacidade de renascer, de se re-parir (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”).

04 de julho / 19.30h
Pós-pornografia: Cine Clube Despina. Curadoria de Andiara Ramos, Nathalia Gonçales e debate-papo com Kleper Reis e Érica Sarmet (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”).

25 de julho / 19h
Noite dos corpos nus: naturismo. Cine Clube Despina exibe “A Nativa Solitária”, sobre Luz del Fuego, com Guilherme Altmayer. Fuxicu e ioga do cu, liberdade radical com Kleper Reis (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”).

27 de julho / 19h

NAVALHA: Manicure show com Ana Matheus Abbade, Uhura BQueer, Vinicius Pinto Rosa,Ventura Profana & Jhonatta Vicente, Frozen 2000, Gabriel Junqueira, Ricardo Càstro (programação parte da exposição “Os corpos são as obras”).
AGOSTO E SETEMBRO

01 de agosto a 30 de setembro
Residência dos artistas selecionados para esta edição: Carlos Martiel (Cuba), Cristiano Lenhardt (Recife, Brasil) e Mariela Scafati (Argentina).

04 de agosto / 20h
Encerramento da exposição “Os corpos são as obras”: encontro com artistas e marcha para o “Turma OK”  – noite de bingo e show com os melhores da casa em homenagem a Luana Muniz.

08 de agosto / 19h
“Desmontando a caravela queer na vida após a morte do colonialismo”.
Fala pública com Jota Mombaça.

O contexto particular de emergência de um cânone queer no Brasil não pode ser pensado fora de uma analítica da colonialidade do saber, que evidencie o que a pensadora, performer e ativista chilena Hija de Perra certa vez descreveu como um efeito simultaneamente colonizador de “nosso contexto sudaca, pobre de aspirações e terceiro-mundista”, mas que perturba “os sujeitos encantados pela heteronorma”. Se queer coloniza perturbando, é porque adere ao processo histórico no qual as bases do projeto corpo-político da colonialidade, que predica a universalidade do sujeito eurobranco heteronormal (seu saber, sua política, sua performance e sua ontologia), colapsa. Mas qual o sentido das perturbações queer no contexto sempre já colonizado do mundo que conhecemos como Brasil (ex-colônia? Neo-colônia? Pós-colônia?), e em que medida, ao proliferar-se globalmente, os cânones queer não reestruturam a lógica das caravelas coloniais, servindo de suporte e plano de inscrição dos fantasmas do colonialismo no presente imediato do colapso da colônia? Como performar e pensar as desobediências de gênero e dissidências sexuais sem reestruturar lógicas elitistas que reencenem a situação colonial? Como desmontar a caravela queer? E como fazer vir as corpo-políticas mais-que-coloniais capazes de ultrapassar a vida após a morte do colonialismo e as supremacias branca, hétero e cisgênera rumo a outras formas de existir e de fazer mundo?

Jota Mombaça é uma bicha não binária, nascida e criada no Nordeste do Brasil, que escreve, performa e faz estudos acadêmicos em torno das relações entre monstruosidade e humanidade, estudos kuir, giros descoloniais, interseccionalidade política, justiça anti-colonial, redistribuição da violência, ficção visionária e tensões entre ética, estética, arte e política nas produções de conhecimentos do sul-do-sul globalizado. Trabalhos atuais são a colaboração com Oficina de Imaginação Política (São Paulo) e a residência artística junto ao Capacete 2017 na Documenta 14 (Atenas/Kassel).

15 de agosto / 19h
“Tornar-se um corpo”
Fala pública com Marta Dillon.

Nas histórias feministas, a experiência não é suficiente para forjar uma voz. É necessário também um corpo, que é feito de sangue e lágrimas, fezes e babas, músculo, pele, maquiagem. Um corpo como o que possuímos. Todos os dias e em todos os lugares. Sustentamos esse corpo com palavras, o erguemos, o adornamos com acessórios e tatuagens; envolvemos esse corpo em coisas escolhidas a dedo e o levamos às ruas. Sem nunca esquecer de que há sangue correndo ali. Sim, somos feministas. Nós dispomos esse corpo para transformá-lo em algo nosso, que goze seus próprios gozos, que inscreva o tempo ao seu ritmo, que se expanda e se contraia de acordo com seu desejo. Porque nossos corpos são escritos antes mesmo que possamos vivenciá-los. É sobre essa superfície tangível que regras são cunhadas por outros para o seu funcionamento adequado: que não tenha cheiro, que tenha apenas algumas partes destacadas, que seja limpo, que procrie, que abrigue e cuide. E se não, o quê? Se não, abjeção: prostitutas, lésbicas, feminazis, gordas, estéreis, péssimas mães. A fala “Tornar-se um corpo” percorre desde os corpos desaparecidos pela ditadura até a criação do corpo coletivo nas manifestações feministas que permitem outras formas de ser e estar no mundo.

Marta Dillon é uma jornalista e ativista que vive e trabalha em Buenos Aires, Argentina. Dirige o suplemento feminista Las12, no jornal Página12 e é participante ativa dos coletivos Ni Una Menos e Emergentes – comunicación y acción. Publicou os seguintes livros: Aparecida(2015), Vivir con virus (2004 e 2016) e Corazones Cautivos (2008). Marta também escreve roteiros para filmes de ficção e documentários. Atualmente está filmando o documentário La Línea 137.

22 de agosto / 19h
Conversa pública com os artistas em residência Carlos Martiel, Cristiano Lenhardt e Mariela Scafati + performance “Lamento Kayapó”, com o artista cubano Carlos Martiel na Despina.

26 agosto e 2 setembro
Circuitos de falas, escutas e trocas. Programação completa e horários, por aqui.

13 de setembro / 17h às 20h
“QueerCuirKuir” – Workshop público de serigrafia com a artista em residência Mariela Scafati.

14 de setembro / 19h
Cine Clube Despina especial com curadoria do Cinema KUIR.

21 de setembro / 19h
Abertura da exposição “Este mesmo corpo”. Mais informações, por aqui.

26 de setembro / 11 h
“Bala Perdida”,
performance com o artista cubano Carlos Martiel nas ruas do centro do Rio de Janeiro.

26 de setembro / 19 h

“Imagens Insubordináveis”. Conversa pública com o artista Cristiano Lenhardt e o curador Victor Gorgulho.

OUTUBRO

19 Outubro / 19h
Cine Clube Despina especial com curadoria do Cinema KUIR.

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SOBRE OS ARTISTAS EM RESIDÊNCIA

carlos_martielCarlos Martiel nasceu em Havana, Cuba, em 1989. Vive e trabalha entre Nova York e Havana. Graduou-se em 2009 pela Academia Nacional de Belas Artes “San Alejandro”, em Havana. Entre os anos 2008-2010, estudou na Cátedra Arte de Conducta, dirigida pela artista cubana Tania Bruguera. Martiel é conhecido por suas ações performáticas viscerais que expõem críticas sobre questões contemporâneas associadas ao seu país de origem e ao resto do mundo. Seu trabalho aborda temas relacionados à injustiça, repressão, discriminação, censura e imigração. Martiel usa seu corpo como um espaço para o discurso, refletindo sobre as relações de poder e o contexto social.

As suas obras foram incluídas na 57ª Bienal de Veneza, na Itália; Bienal de Casablanca, no Marrocos; Bienal “La Otra”, em Bogotá, Colômbia; Bienal de Liverpool, no Reino Unido; Bienal de Pontevedra, em Galiza, Espanha e Bienal de Havana, em Cuba. Já realizou performances no Walker Art Center, Minneapolis, EUA; no Museu de Belas Artes de Houston (MFAH), EUA; no Museu de Arte Contemporânea de Zulia (MACZUL) em Maracaibo, Venezuela; na Padiglione d’Arte Contemporanea, em Milão, Itália; na Robert Miller Gallery, em Nova York, EUA; no Museu Nitsch, em Nápoles, Itália. Também foi contemplado com vários prêmios, incluindo o “Franklin Furnace Fund” em Nova York, EUA, 2016; “Prêmio CIFOS Grants & Commissions Program” em Miami, EUA, 2014; “Arte Laguna” em Veneza, Itália, 2013. Seu trabalho já foi exibido no Museu de Arte Latino-Americana (MOLAA), Long Beach, EUA; Zisa Zona Arti Contemporanee (ZAC), Palermo, Itália; Patricia e Phillip Frost Art Museum, Miami, EUA; Benaki Museum, Atenas, Grécia; Museu Nacional de Belas Artes, Havana, Cuba; Museu Tornielli, Ameno, Itália; Museu Estoniano de Arte e Design, Tallinn, Estônia; Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, Argentina; entre outros.

 

mariela_scaMariela Scafati nasceu em 1973, em Olivos, Argentina. Vive e trabalha em Buenos Aires. Estudou Artes Visuais na E.S.A.V. Bahia Blanca e participou das oficinas de Tulio de Sagastizábal, Pablo Suárez e Guillermo Kuitca. Considerada uma das mais importantes artistas argentinas de sua geração, seu trabalho faz parte de coleções importantes, como a coleção permanente do Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires). Desde 2010, Scafati é uma agente da C.I.A – Centro de Investigação Artística. Scafati também tem participado de vários projetos coletivos e colaborativos ligados à serigrafia, educação, rádio e teatro.

Em 2002, ela co-fundou a T.P.S. * – “Taller Popular Serigrafía”. Desde 2007, ela é membro de “Serigrafistas Queer” **. Fez parte da equipe da Galeria Belleza y Felicidad, foi fundadora do Proyecto Secundario Liliana Maresca, na Escuela Secundaria Nº349 Artes Visuales, Fiorito, Lomas  de Zamora. Também coordenou uma oficina de serigrafia para a Cooperativa y Editorial Eloísa Cartonera e participou de várias intervenções da “Brigada Argentina por Dilma”, com Roberto Jacoby, na Bienal de São Paulo em 2009.

Em 1998, ela participou da exposição coletiva “Três Paredes”. Em 2000, realizou sua primeira exposição individual “Pinturas e parede.” Em seguida, “Show Me Your Pink (2001)” na Galeria Bis, Rosario, Santa Fé; “He venido para decirte que me voy” (2001); “Mariam Traoré” (2004) e “Scafati, un cuadro” (2005), todas na Galeria Belleza y Felicidad, Buenos Aires; “Pintura gustosa” (2001), na Casona de Los Olivera, Buenos Aires; “Sos un sueño” (2009), na Galeria Abate, Buenos Aires; “¡Teléfono! en diálogo con Lidy Prati” (2009), no CCBorges, Buenos Aires; “Windows” (2011), na Galeria Abate, Buenos Aires; “Ni verdaderas ni falsas” (2013), no Instituto de Investigaciones Gino Germani, Buenos Aires; “Pinturas donde estoy 1998-2013”, na CCRecoleta, Buenos Aires;  “Las palabras vienen después” (2014) na Maria Casado Home Gallery, Buenos Aires e “Las cosas amantes” (2015), junto com Ariadna Pastorini, na Galeria Isla Flotante, Buenos Aires. Ainda este ano, a artista vai apresentar um projeto individual na Art Basel, em Miami (EUA).

Entre as suas experiências ligadas ao teatro, estão as séries Kamishibai, Yotiteretú e uma companhia de fantoches com Fernanda Laguna; além de seu trabalho como cenografista para os biodramas dirigidos por Vivi Tellas, no Museo de la paloma y Las personas, com os funcionários do Teatro San Martin (2014).

* A “Taller Popular Serigrafía” (TPS) funcionou em Buenos Aires entre 2002 e 2007. Foi fundada por Scafati e outros artistas em uma das muitas assembleias populares que surgiram a partir da insurreição popular de dezembro de 2001. A partir desse momento, o coletivo passou a intervir no contexto dos movimentos sociais, diretamente na rua, com o objetivo de socializar o processo de produção gráfica, produzindo todos os tipos de vestuário com imagens relacionadas ao clima político de cada evento.

** “Serigrafistas Queer” (SQ), auto-intitulado como um “não-grupo”, nasceu em 2007. O coletivo tem sediado reuniões periódicas em que são pensados e discutidos slogans e screenprints e stencils são montados em varias formatos de impressão para serem usados na Parada do Orgulho LGBT, que é realizada anualmente em diferentes cidades da Argentina. Os materiais produzidos são mantidos e re-utilizados livremente em outras acções.

 

cris_lenhardtCristiano Lenhardt nasceu em Itaara (Rio Grande do Sul) em 1975. Vive e trabalha em Recife, Pernambuco. Formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Santa Maria (1996-2000), participou da Orientação Artística Torreão, em Porto Alegre, de 2001 a 2003. Dentre as exposições individuais que participou, destaque para “O habitante do plano para fora” (2015) e “Litomorfose” (2014), na Galeria Fortes Vilaça, em São Paulo; “Matéria Superordiária Abundante” (2014) e “Planalto” (2013), na Galeria Amparo 60, em Recife; Bienal Naifs do Brasil (2016); 32ª Bienal de São Paulo (2016); “Cruzamentos”, Wexner Center for the Arts, Ohio/EUA (2014); Rumos Visuais Itaú Cultural, São Paulo (2012) e Mythologies – Cité Internationale des Arts, Paris (2011).

Recebeu diversos prêmios nacionais, dentre eles: Bolsa Iberê Camargo – Programa de Artistas Universidad Torcuato Di tella, Buenos Aires, 2011; Prêmio Projéteis da Arte Contemporânea, Funarte, Rio de Janeiro (2008); Prêmio Concurso Videoarte, Fundação Joaquim Nabuco, Recife (2007); SPA das Artes, Recife (2007 e 2004); Bolsa Prêmio do 26º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco (2006), entre outros. Também participou de residências artísticas em importantes espaços e instituições como Phosphorus, em São Paulo (2013); Gasworks, em Londres, Reino Unido (2013) e Made in Mirrors Foundation, em Guangzhou, China (2011).

Cristiano tece sua prática artística como um jogo ilusório entre o plano bidimensional e o espaço tridimensional. A partir de vídeos, performances, observações, fotografias, desenhos e gravuras, o artista busca na realidade ordinária e mundana ferramentas para construir uma obra que acontece por atração e transformação dos materiais e símbolos.

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GALERIA DE FOTOS (navegue pelas setas na horizontal)
por Denise Adams, Frederico Pellachin e Raquel Romero-Faz

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA – ANO II (2017)

Concepção e direção do projeto
Consuelo Bassanesi

Concepção e desenvolvimento do tema
Consuelo Bassanesi e Bernardo José de Souza

Interlocução Curatorial
Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Produção, Comunicação e Documentação
Frederico Pellachin

Gestão Financeira e Jurídica
Clarice Goulart Correa

Assistente de Produção
Pablo Ferretti

Comitê de Seleção (Programa de Residências)
Consuelo Bassanesi, Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Logomarca e Design Gráfico (publicação)
Pablo Ugá

Fotos (performances e aberturas)
Denise Adams, Vinícius Nascimento e Raquel Romero-Faz.

“Os corpos são as obras” (curadores)
Guilherme Altmayer e Pablo León de la Barra

Agradecimentos
Alexandre Rodolfo de Oliveira, Alexandre Sá, Ana Matheus Abbade, Bertan Selim, Bianca Bernardo, Eduardo Montelli, Laura Lima, Marcelo Velloso, Prince Claus Fund, Raphael Fonseca.

 

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Arte e Ativismo na América Latina – ano I (2016)

Ano I - 2016

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA é um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018). A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, oficinas, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas. Nesta primeira edição (2016), o tema escolhido foi Espaço Público.

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Apresentação do tema
por Bernardo José de Souza e Consuelo Bassanesi

Os protestos “Anti-Mubarak” na Praça Tahrir, no Egito, os “Indignados” na Puerta del Sol, em Madri, o “Occupy Wall Street” no Liberty Plaza, em Nova Iorque, o “Protesto da Praça da Paz Celestial”, na Praça Tiananmen, em Pequim, as “Mães da Praça de Maio”, em Buenos Aires, o “Ocupa Cabral”, nas cercanias da casa do então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral – a importância dos espaços públicos para mobilizações políticas não é um fenômeno recente e toma diferentes formatos, mas é sempre na rua que os movimentos sociais tomam forma e ganham peso.

Para além disso, muitos dos direitos humanos, como liberdade de expressão, de reunião, de informação e de movimento, assim como o direito ao descanso e ao lazer, dependem da disponibilidade de espaço público físico. Sua ausência, assim como seu controle, são danosos e restringem as liberdades civis.

A noção de espaço público – enquanto aquele de uso comum e posse de todos – sofreu diversas construções e restrições ao longo dos séculos. A privatização e normatização dos espaços faz com que nem todo espaço “publico” seja de uso “do público”, e que estes espaços não sejam acessados de forma igualitária por todos os corpos nem por todas as pautas. Em teoria espaços comunitários e de cidadania, inclusivos e diversos; na prática os espaços públicos são cada vez mais controlados em seu uso, em nome de alguma posse, ordem, lei, códigos de conduta.

Manifestações políticas em espaços públicos não raramente no Brasil, na América Latina e internacionalmente, terminam com violência policial e criminalização dos manifestantes, vide o caso dos 23 ativistas brasileiros presos na véspera da Copa do Mundo no Brasil e posteriormente condenados por formação de quadrilha e por planejar protestos.

Nesta primeira edição, o tema do projeto Arte e Ativismo na América Latina girou em torno das diversas noções de espaço público, real ou virtual: como uma arena política onde debates, protestos e demandas emergem e ganham forma; como o ambiente onde diferentes culturas e classes sociais co-existem e colidem; como uma zona livre para lazer e expressão criativa; como o lugar onde as crenças pessoais e coletivas podem ser expressas e ouvidas pelas massas; como um espaço onde o conhecimento e a informação podem ser trocados; como um domínio onde os direitos civis e individuais são submetidos às sociedades disciplinar e de controle; ou mesmo como um território para a resistência cultural, no qual as comunidades devem ter acesso aos meios e infra-estrutura para o auto-desenvolvimento e auto-organização.

Buscamos promover um debate aprofundado sobre o tema e desenvolver uma série de ações públicas que buscassem desafiar a própria compreensão e uso do espaço público, convidando artistas e ativistas cujas práticas estão situadas nas fronteiras entre arte e política. Igualmente, nos interessamos por práticas que desafiam o papel das instituições políticas e culturais, no que tange à subversão da ideia da obra de arte como necessariamente uma construção da cultura material destinada a durar e para ser exibida em espaços de arte formais, destruindo a fronteira entre o dentro e o fora e buscando nas ruas o entendimento da relevância e das limitações dos espaços públicos.

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Os artistas selecionados para participar da residência em setembro e outubro de 2016 foram Crack Rodriguez (El Salvador), Jesus Bubu Negrón (Porto Rico) e Luciana Magno (Brasil). Durante esse período, a ideia foi trabalhar em uma variedade de modos informais de educação, como oficinas, palestras públicas, visitas a escolas / universidades e uma exposição. Além disso, uma série de eventos públicos aconteceu simultaneamente ao período da residência, com a participação de Tania Bruguera, Pablo León de la Barra, Roberto Jacoby e Suely Rolnik.

Os custos de participação dos artistas e convidados foram totalmente cobertos pelo Prince Claus Fund como parte de seu Network Partnership Programme, do qual Despina faz parte.

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PROGRAMAÇÃO

16 de setembro (20hs)
Conversa com a psicanalista e crítica cultural SUELY ROLNIK (disponível no vídeo a seguir)

29 de setembro (20hs)
Conversa com o artista argentino ROBERTO JACOBY

de 17 a 21 de outubro
Oficinas gratuitas coordenadas pelos artistas em residência

21 de outubro (18hs)
Conferência ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA na Casa França-Brasil
(em parceria com o Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ)

18 de outubro (20hs)
Videoconferência com a artista cubana TANIA BRUGUERA (mediação do curador Pablo León de la Barra)

28 de outubro (19hs)
Abertura da exposição “No Calor da Batalha!” com obras dos artistas CRACK RODRIGUEZ, LUCIANA MAGNO e JESUS BUBU NEGRÓN. Clique aqui para mais informações

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SOBRE OS ARTISTAS EM RESIDÊNCIA

Crack Rodriguez (1980) vive e trabalha em San Salvador, El Salvador. A sua prática e suas ações estão intimamente relacionadas com o contexto social e com a cultura popular, por onde ele constrói laços fortes com o público, que muitas vezes se torna elemento ativo e catalisador de suas obras no âmbito público.

É membro da “The Fire Theory”, em San Salvador. Em 2014, foi indicado ao prêmio “Emerging Artists Grant MISOL” – Fundação MISOL, Bogotá, Colômbia. Já foi membro da Summer Akademy Paul Klee (curadoria: Hassan Khan), em Berna, Suíça. Tem participado de várias exposições e projetos coletivos, entre eles: “Curating Agency” e “Agency for Spiritual Guest Work”, com curadoria de Anne Marca Galvez; “From the Tangible to the Intangible”, 4th Edition Nomadic Centro de Arte Contemporânea “Tropical Interzone” e “The Virtual Residency Programme”, em Zurique, Suíça; “Relocating SAL”, com curadoria de Claire Breukel e Lucas Arevalo, na Ernst Hilger Gallery, em Viena, Áustria; “Peripheral Spectacular”, com curadoria de Eder Castillo, na Cidade do México e “Poporopo Project”, na Cidade da Guatemala e la-embajada.org.; “Documenting Memory”, Art Center / South Florida (EUA); Performance Festival – acciones en el espacio publico, em Tegucigalpa, Honduras; “Landings 5”, Art Museum of the Americas, em Washington (EUA); “Landings 6 and 7”, Haydee Santamaria Gallery, Casa de las Americas, em Havana, Cuba; “Landings 8”, Taipei Fine Arts Museum, em Taipei, Taiwan. Exposições e projetos individuais incluem: “Circunstancias de los restos”, Lokkus Arte Contemporáneo, em Medellin, Colombia; “Neutropolitan Attack” Arts Festival Eclética, FEA, em El Salvador.

Mais informações
http://thefiretheory.org/crackrodriguez/

 

Jesus Bubu Negrón (1975) vive e trabalha em San Juan, Porto Rico. Seu trabalho é caracterizado por intervenções mínimas, pela recontextualização de objetos do cotidiano e por uma aproximação relacional com a produção artística como uma ação reveladora de proporções históricas, sociais e econômicas. Negrón vive no bairro de Puerta de Tierra, na capital de Porto Rico, San Juan, onde é parte da Brigada PDT, uma organização comunitária voltada para a preservação e bem-estar do bairro, da sua história e do seu povo.

Após a conclusão da sua primeira residência artística na M & M Proyectos em 2002, em Porto Rico, o trabalho de Negrón passou a circular em galerias e instituições ao redor do mundo,  em exposições individuais  e coletivas. Algumas de suas colaborações mais notáveis ​​incluem: Abubuya Km0 project, organizado pela Kiosko Galeria, Bolívia; The Obscenity of theJungle, em parceria com Proyectos Ultravioleta para a SWAB Barcelona, Espanha (2013); 1ª Bienal Tropical, em Puerto Rico (2011), onde foi premiado com o “Abacaxi de Ouro” – melhor artista; Interpretation of the Sonetode las estrella (curadoria: Taiyana Pimentel), na Sala de Arte Público Siqueiros, Mexico (2013); Trienal Poligráfica (curadoria: Adriano Pedrosa, Julieta González e Jens Hoffmann), em Puerto Rico (2009); Sharjah Biennial (curadoria: Mohammed Kazem, Eva Scharrer e Jonathan Watkins), em Sharjah, Emirados Árabes Unidos (2007); Whitney Biennial (curadoria: Chrissie Iles e Phillipe Vergne), em Nova York (2006);  T1 Torino Trienale (curadoria: Francesco Bonami e Carolyn Christov–Bakargiev), Itália (2005) e Tropical Abstraction (curadoria: Ross Gortzak), no Museu Steidelijk Bureau, em Amsterdam (2005).

Seu trabalho tem sido mencionado em grandes publicações como o Flash Art, New York Times, Journal des Arts, LA Times, The Art Newspaper, Art Nexus, Frieze, entre outros.

Mais informações
http://www.jesusbubunegron.com/

 

Luciana Magno (1987) vive e trabalha entre Belém e Fortaleza, Brasil. Graduada em artes visuais e tecnologia da imagem pela Universidade da Amazônia, Belém, e mestre em artes pela Universidade Federal do Pará, na mesma cidade. Trabalha com performance, frequentemente direcionada para fotografia e vídeo, objeto e website. Com uma pesquisa focada no corpo e em ações performáticas, a artista tem se dedicado a questões políticas, sociais e antropológicas, relacionadas ao impacto do desenvolvimento da região amazônica. A integração do corpo à paisagem e ao entorno é um elemento determinante e recorrente no seu trabalho. Suas obras já foram exibidas no Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza (2014); no Arte Pará, Museu de Arte do Estado do Pará, Belém (2014), onde foi artista premiada e no Museu de Arte do Rio de Janeiro (2013). Foi ganhadora da 10ª edição do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais com o projeto “Telefone Sem Fio”, que cruzou o país do Oiapoque ao Chuí por rodovias e hidrovias, a partir do qual se constituiu um arquivo de vídeo e áudio acerca da diversidade cultural, histórica e geográfica do Brasil.

Mais informações
http://www.lucianamagno.com

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GALERIA DE FOTOS (Navegue pelas setas na horizontal)
Fotos: Frederico Pellachin, Consuelo Bassanesi e Thiago Pozes

 


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ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA – ANO I (2016)

Concepção e direção do projeto
Consuelo Bassanesi

Concepção e desenvolvimento do tema
Consuelo Bassanesi e Bernardo José de Souza

Interlocução Curatorial
Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Produção, Comunicação e Documentação
Frederico Pellachin

Assessoria de Imprensa
Rafael Millon

Gestão Financeira e Jurídica
Clarice Goulart Correa

Assistente de Produção
Pablo Ferretti

Comitê de Seleção (Programa de Residências)
Consuelo Bassanesi, Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Logomarca e Design Gráfico (publicação)
Pablo Ugá

Fotos (abertura da exposição)
Thiago Pozes

Agradecimentos
Alexandre Rodolfo de Oliveira, Alexandre Sá, Bernardo Mosqueira, Bertan Selim, Helena Celestino, Leila Lak,  Pablo León de la Barra, Prince Claus Fund.

 

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Programa de Residências Despina + Central Saint Martins, University of the Arts London

Março 2016

Durante o mês de março de 2016, o Programa de Residências Despina realizou um ciclo especial em parceria com a Central Saint Martins, University of the Arts London. Quatro artistas recém formadas foram selecionadas e comissionadas por meio de uma convocatória aberta conduzida pela instituição britânica para participar do nosso programa. Beatrice Vermeir, Carlotta Novella, Helena de Pulford e Sarah Crew ocuparam ateliês na Despina, receberam suporte curatorial e participaram de uma série de atividades, incluindo workshops, conversas e seminários, além de visitas a outros ateliês e espaços culturais.

 

beatrice

Beatrice Vermeir é uma artista, crítica e poeta que vive e trabalha em Londres. É formada em escultura pela Central Saint Martins, University of the Arts London. Em junho de 2015, Beatrice participou de uma residência no Grizedale Arts, em Cumbria, no noroeste inglês, onde desenvolveu um projeto que combinou a história da comida local com a filosofia educacional e experimental de John Ruskin. As atividades desta residência envolveram oficinas de produção de queijo e de um café comunitário de baixo custo, além do cultivo de uma horta. Em novembro do mesmo ano, Beatrice colaborou com o coletivo londrino “Houserules”, participando de um programa de passeios conduzidos por artistas na região de Peckham, em Londres (parte da programação da ArtLicks). Também atuou como diretora e figurinista na produção teatral “‘You Are Me And I Am You ”, que esteve em cartaz durante o último Festival VAULT, em Londres. A sua prática artística é mista e colaborativa e está focada na pesquisa de formas alternativas de organização social, de trabalho e educação.

 

carlota

Carlotta Novella nasceu em Veneza (Itália). Vive e trabalha em Londres (Inglaterra). É graduada em Gestão da Construção, com mestrado em Arquitetura: Cidades e Inovação pela Central Saint Martins, University of the Arts London. O trabalho de Carlotta aborda questões sócio-políticas e culturais contemporâneas através de um olhar espacial, com foco na confluência entre espaços públicos e privados. Um de seus projetos, “Bairros Industriais”, apresentou estratégias urbanas alternativas e intervenções de design para facilitar o trabalho em casa para beneficiários de programas de habitação social. Entusiasta do trabalho colaborativo, a sua prática transita por estruturas temporárias (sócio-espaciais e móveis), desenhos arquitetônicos, oficinas participativas, eventos e performances. Mais informações: http://carlottanovellaworks.com/

 

helena

Helena de Pulford vive e trabalha em Londres (Inglaterra). Graduada pela Central Saint Martins, University of the Arts London, foi contemplada com o Art Cass Prize e selecionada para o programa Acme. A sua prática artística é essencialmente escultórica, mas também incorpora performance, escrita e imagens em movimento. Seu trabalho reinterpreta a história visual europeia por meio de questões que envolvem teorias contemporâneas de gênero. Exposições recentes incluem: 3×3 Collaborations for Art Licks Weekend 12 Orpen Walk, Londres (2015); Supermarket Sweep, Nice Galley, Londres (2015); Degree Show CSM School of Art, Londres (2015); Open Studios, 1 Granary Square, Londres (2014); Talking about Pink Salmon, 1 Granary Square, Londres (2014); Copy, Elthorne Road Project Space, Londres (2014) e Para-Site, Concourse Gallery, Londres (2013).

 

sarah

Sarah Crew é um artista e escritora que vive e trabalha em Bristol (Inglaterra). É mestre em Fotografia pela Central Saint Martins, University of the Arts London. A sua prática transita pela instalação, filme, som e performance ao vivo, e envolve as relações mutáveis, as conexões e os pontos de disjunção entre o humano, o animal e a paisagem. As implicações disso são analisadas por meio da utilização da tecnologia contemporânea, que está incorporada em um ambiente cada vez mais tátil e dualista. Mais informações: www.sarahcrew.com

 

 

 

Durante a residência, as quatro artistas conceberam uma estrutura nos moldes de uma habitação provisória, que permitiu uma espécie de “co-polinização” entre as suas práticas individuais. Este projeto recebeu o nome de  “Trânsito-Rio”  e ganhou um blog – http://transito-rio.weebly.com –, que serviu como plataforma de documentação das experiências e processos vivenciados pelo grupo no Rio de Janeiro.

Também participaram do I Seminário Internacional de Escolas de Arte no Parque Lage, onde puderam compartilharam as experiências dessa residência com o público. E numa parceria entre o MAR – Museu de Arte do Rio e a Despina, a artista Sarah Crew realizou um workshop especial, em colaboração com os educadores do museu. O público presente no espaço foi convidado a construir “guarda-chuvas”, com o objetivo de explorar os cenários desafiadores do século XXI. A estrutura do guarda-chuva tornou-se um objeto para discussões visuais e explorações lúdicas. À medida em que novas paisagens foram adicionadas à estrutura, o guarda-chuva como um todo passou a refletir a curvatura da terra, ressurgindo como um campo criativo para ser investigado a partir de cima. Depois de concluídas, estas esculturas tridimensionais (que a artista nomeou de “brella-scapes”) também assumiram a forma de uma instalação, que foi construída ao longo da atividade.

Ao final da residência, uma mostra especial foi aberta ao público na Despina, apresentando os resultados dessa experiência coletiva. Confira abaixo alguns registros da passagem de Beatrice, Carlotta, Helena e Sarah pelo Rio de Janeiro. E não deixe de ler, em PDF, o texto de Bernardo José de Souza, curador que acompanhou as artistas durante a residência (página 1, página 2).

 

Galeria de Fotos (navegue pelas setas na horizontal e clique na imagem para ampliar)

Diagonale

Todo ano

O centro de arte contemporânea canadense Diagonale é parceiro da Despina desde 2015 em um projeto especial que oferece uma bolsa integral para artistas que moram e trabalham em Quebéc participarem do nosso programa de residências.

Esta iniciativa conta com o suporte do Conseil des Arts de Montréal e tem como objetivo fomentar a experimentação e o desenvolvimento de práticas artísticas contemporâneas e promover a mobilidade internacional de artistas que utilizam a fibra em termos de material e conceito de trabalho.

As residências têm a duração de 1 mês e estão 100% focadas no processo, permitindo ao artista visitante uma produção em resposta ao novo ambiente e às novas interlocuções, que incluem atividades como workshops, encontros com curadores, visitas a ateliês e outros espaços de arte, além de um evento de ateliê aberto no final do período da residência.

Para saber mais sobre a Diagonale, acesse www.artdiagonale.org

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Histórico das residências

2019

Artista selecionada: Mégane Voghell

Vive e trabalha em Montreal, Canadá. Seu interesse está nas muitas maneiras pelas quais o mundo pode ser vivenciado na ausência de um corpo físico. Por meio de instalação, correspondência (textual), desenho e vídeo, seu trabalho questiona os binarismos transcendência / imanência; real / virtual.

Através de dispositivos – tangíveis e intangíveis – Voghell utiliza uma mitologia pessoal que aponta para uma experiência além-mundo, mas que é extraída de uma temática muito real. Seu trabalho emerge do desejo de definir as peculiaridades das forças elementares e fenomenológicas ao nosso redor para melhor manipulá-las e reinventá-las.

Seu trabalho tem sido apresentado em festivais e várias exposições coletivas e individuais, incluindo “harbinger”, no espaço de arte Eastern Bloc (2015); no FME, em Rouyn-Noranda (Center l’Écart, 2015); no Centro de Arte Le Lobe, em Chicoutimi (2016); na Feira Paris Variation (2017); e mais recentemente na Galeria Calaboose, em Pointe-Saint-Charles (2019) e Galeria Vicki, em Newburgh (2019). Seu trabalho já foi incluído em algumas publicações, tais como Nut II, ETC MEDIA e Cigale. Também foi curadora do evento “Episode Laurier”, em junho de 2018.

2018
Artistas selecionados:  Chloë Lum e Yannick Desranleau

Vivem e trabalham em Montreal, Canadá. O trabalho da dupla é multidisciplinar e está centrado na teatralidade, na coreografia e na performance, assim como no interesse em encenar uma situação e trabalhar com materiais efêmeros que são operados por meio da reutilização e dissolução. Os trabalhos recentes da dupla investigam a representação dos objetos, a condição material do corpo e o potencial transformador que corpos e objetos exercem uns sobre os outros. Esses interesses são desvelados por meio da experiência de Chloë com uma doença crônica e o efeito disso na sua parceria como Yannick, juntamente com a exploração de narrativas de literatura, teatro e televisão.

Para eles, é importante mostrar o corpo em ação, a fim de ilustrar os desconfortos e descobertas táteis durante um primeiro contato entre dois corpos; é por isso que a performance e o vídeo se tornaram dois dos meios favoritos de suas práticas, em transição com seus trabalhos instalativos.

A pesquisa dos dois artistas no Rio de Janeiro partiu de uma imersão nos arquivos de cartas da escritora Clarice Lispector e da exploração de figurinos e acessórios que irão compor uma performance em vídeo a ser desenvolvida em breve. Dando continuidade ao tema das doenças crônicas, a dupla quer abordá-lo a partir de um viés transformador – um acontecimento sensorial e físico que eles pretendem ilustrar a partir do fenômeno da “segunda pele”. Assim, Chloë e Yannick estão interessados ​​em aprofundar a sua investigação sobre a elasticidade dos tecidos e a capacidade que eles têm de criar um efeito de transformação na forma do corpo por meio dessa propriedade – até talvez prolongá-lo.

A dupla já expôs no Center for Books and Paper Arts, Columbia College, Chicago (EUA); no Musée d’art contemporain de Montreal (Canadá); Kunsthalle Wien, Viena (Áustria); BALTIC Centre for Contemporary Art (Reino Unido); Whitechapel Project Space, Londres (Reino Unido);  University of Texas, Austin (EUA); The Confederation Centre Art Gallery, Charlottetown (Canadá); The Blackwood Gallery, University of Toronto (Canadá) e The Darling Foundry, Montreal (Canadá).  A dupla também é conhecida no cenário musical internacional como co-fundadores do grupo de avant-rock AIDS Wolf, inclusive produzindo pôsteres de concertos premiados sob o nome de Séripop. O trabalho da dupla está na coleção do Museu Victoria and Albert, Londres (Reino Unido), no Museu de Belas Artes de Montreal (Canadá) e no Musée d’arte contemporain de Montréal (Canadá).

Clique aqui para visitar a página de perfil da dupla de residentes com galeria de fotos, vídeos e texto curatorial.

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2017
Artista selecionada: Lorna Bauer

lorna_bauer_2017_thumbLorna Bauer nasceu em Toronto. Vive e trabalha em Montreal (Canadá). Recentemente, apresentou seu trabalho no The Loon, Toronto; Galeria CK2, Nova York; The Darling Foundry, Montreal; Model Projects, Vancouver; no Musée d’Art Contemporain de Montréal, entre outros espaços. Já participou de inúmeras residências nacionais e internacionais, incluindo estadias no The Couvent des Récollets, Paris; Residência Quebec-Nova Iorque (financiada pelo Conselho das Artes e Letras do Québec); o Banff Center, Alberta e o Atlantic Center for the Arts, na Flórida (trabalhando com o artista Josiah McElheny). Também é responsável pela gestão do espaço L’escalier (juntamente com os artistas Jon Knowles e Vincent Bonin), localizado em Montreal.

Sua prática artística transita pela fotografia, instalação e, mais recentemente, pela utilização de materiais como vidro e bronze. Sua linguagem formal e uso de materiais aludem a idéias desenvolvidas através do planejamento urbano e da teoria urbana. Seu trabalho está centrado em exemplos específicos de arquitetura, planejamento urbano e psicopatologias do século XX.

Os projetos de Bauer geralmente são caracterizados como relacionados ao espaço, levando a um resultado final que respondeu a um local e contexto específicos. Seus interesses são amplos e variam de tópicos que vão da planta urbana da cidade de Paris – em particular as velhas arcadas e o cultivo subterrâneo de cogumelos nas catacumbas parisienses -, “Haussmannização”, jardins utópicos da costa oeste norte-americana dos anos 70 até as cartas de Walter Benjamin para o amante, descrevendo a ilha de Ibiza durante seu exílio. Todos esses projetos tratam de espaços e a maneira com que eles moldam as percepções individuais e a correlação entre o ambiente natural e o ambiente construído.

No Rio de Janeiro, a artista concentrou a sua pesquisa em um dos mais proeminentes nomes da arquitetura paisagística do Brasil, Roberto Burle-Marx (e seus contemporâneos). A filosofia de Burle-Marx é contígua a dos modernistas canadenses, Arthur Erickson e Cornelia Oberlander, ambos já pesquisados pela artista em projetos passados. Todos esses visionários do design paisagístico utilizaram plantas nativas e materiais naturais locais, o que é revelado na continuidade entre espaços construídos e naturais, na atenção plena sobre como nos movemos pelo espaço e no interesse peculiar por reflexo e materiais que refletem.

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2016
Artista selecionado: Romeo Gongora

romeo_gongora_2016_thumbRomeo Gongora é um artista visual canadense-guatemalteco. Sua prática envolve principalmente a participação e está baseada em uma metodologia pedagógica radical, cujo propósito é ativar a consciência humana e sócio-política por meio de projetos coletivos. Entre algumas de suas colaborações no campo artístico, destaque para: Rencontres de Bamako (Mali), CCA – Lagos (Nigéria), Centro de Arte Torun (Polônia), Festival Belluard (Suíça), HISK (Bélgica), The Office (Berlim) e Open School East (Londres). Em 2007, participou de uma residência de dois anos no Rijksakademie Van Beeldende Kunsten (Amsterdam). Em 2009, representou o Canadá como um artista em residência na Künstlerhaus Bethanien (Berlim) e no Acme Studios (Londres), em 2016.

Durante a sua estadia no Rio, Romeo coordenou o workshopSonhos despertos: novos modelos de identidade”, uma experiência coletiva que durou três semanas e que envolveu um processo de pesquisa sobre identidade e experimentos vestíveis para uma sociedade utópica. Os participantes do workshop criaram coletivamente uma coleção de roupas pensada para uma sociedade utópica. Algumas questões que foram abordadas durante os encontros: Qual é o significado de “identidade” em uma sociedade utópica? Como os cidadãos irão se vestir? Que tipo de vestuário e códigos comportamentais estes cidadãos terão acesso? A metodologia participativa dessa atividade foi inspirada nas técnicas desenvolvidas por Augusto Boal no seu “Teatro do Oprimido”; na noção de consciência crítica, teorizada por Paulo Freire; e em algumas técnicas de pesquisa-ação participativa de Orlando Fals Borda.

O resultado foi exibido na última SAARA NIGHTS de 2016, em 29 de novembro. No espaço da nossa galeria e dos ateliês, aconteceu uma performance nos moldes de um desfile de moda.

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2015
Artista selecionada: Karen Kraven

karen_kraven_2015_thumbKaren Kraven vive e trabalha em Montreal, Canadá. É representada pela galeria Parisian Laundry. Já expôs no ICA do Maine College of Art, Portland, ME (2015); na Darling Foundry, em Montreal (2014) e na Mercer Union, em Toronto. Suas obras têm sido comissionadas pelo Canadian Council for the Arts, Quebec Council for the Arts e pela Fundação Dale & Nick Tedeschi.

Para a sua prática artística, Karen busca inspiração nas roupas e acessórios usados por atletas e espectadores que circundam, por exemplo, um jogo de basquete. A textura brilhante dos uniformes dos jogadores, o movimento ritualístico do público acenando com seus cachecóis, ou o padrão moiré revelado na figura do mestre de cerimônias e sua camisa listrada, têm atraído a atenção da artista, que compara este universo ao da Comedia del Arte. Aqui, entra a figura do arlequim, cuja função era a de divertir o público durante os intervalos dos espetáculos. Sua importância foi gradativamente afirmando-se, e o seu traje, feito de retalhos multicoloridos (geralmente em forma de losango), destacava a sua presença ainda mais em cena. No esporte, o traje e a vestimenta também estão claramente concebidos para este fim, o que também aproxima os participantes destes eventos esportivos da figura de uma “ave-de-paraíso”, ora em destaque, ora camuflada, como numa revoada em bando. Tais marcações “chamativas” enfatizam a velocidade e o movimento dos corpos, enquanto, potencialmente, servem também para distrair a atenção de um adversário.

No desenvolvimento atual do seu trabalho, Karen tem elaborado redes de pesca artesanais e fotografado roupas esportivas e tecidos de elastano esticados sobre esculturas corpóreas fracionadas. Também tem desenvolvido esculturas a partir de uniformes de ginástica e chapéus de senhoras que frequentam corridas de cavalo. O interesse da artista está na política de gênero das roupas esportivas e a sexualidade latente embutida no ocultamento dos corpos pelos uniformes, na oposição apertado x solto e o quanto os tecidos e o vestuário em si são vistos como uma segunda pele.

A sua pesquisa recente está focada no vestuário esportivo desenvolvido no início do século XX pela artista construtivista russa Varvara Stepanova. Nesta seara do design têxtil, Stepanova explorou ao máximo as linhas e formas geométricas, o que fez com que o movimento e a aparência dos corpos ganhassem contornos abstratos e exagerados. Além desta, Karen também tem pesquisado o trabalho da estilista italiana Elsa Schiaparelli e a sua relação com a arte dos cubistas e surrealistas.

Durante o período em que esteve no Rio de Janeiro, a artista investigou a história do design têxtil no Brasil e a utilização de materiais reciclados em produtos artesanais, como tapetes e bolsas. Karen também explorou a região comercial da SAARA (que circunda o nosso espaço, no centro histórico da cidade) e adquiriu uma variedade de tecidos que foram, posteriormente, combinados em relevos escultóricos.

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Iran-Rio Art Connection

Setembro 2015

Em setembro de 2015, jovens talentos das artes visuais do Irã estiveram no Rio para uma residência artística. Durante todo o mês, nossos ateliês de residência foram ocupados por quatro artistas iranianos que tiveram a chance de explorar os seus trabalhos em um novo contexto cultural. Ao final do processo, uma exposição marcou o resultado desta experiência.

Artistas participantes: Ali Zanjani, Amin Aghaei, Farnaz Jahanbin e Shadi Ghadirian.

Shadi e Farnaz foram especialmente convidadas para o projeto. Já Ali e Amin foram selecionados por um painel de curadores e artistas brasileiros formado por Bernardo José de Souza (curador), Daniela Labra (crítica de arte e curadora), Ernesto Neto (artista), Marta Mestre (curadora do Instituto Inhotim – MG) e Miguel Sayad (diretor do Largo das Artes).

Uma série de eventos paralelos, públicos e gratuitos foi realizada simultaneamente ao período da residência com o intuito de potencializar o diálogo inter-cultural, além de promover o trabalho em rede entre artistas do Oriente Médio e do Brasil.

PROGRAMAÇÃO

3 – 6 setembro
Artistas visitam a 31ª Bienal Internacional de São Paulo, a convite do curador da mostra Charles Esche.

12 setembro
Conversa com a artista Shadi Ghadirian, seguida de brunch.*
Local: Despina | Largo das Artes
Horário: 11 horas
Entrada gratuita (sujeito a lotação do espaço)
* Este evento faz parte da programação especial da feira ArtRio 2014.

16 setembro
Visita dos artistas ao Colégio Pedro II em Realengo, Rio de Janeiro
Horário: 14 horas

23 setembro
Conversa com os artistas na Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro
Horário: 11 horas

25 setembro
Abertura da exposição final* + concerto de música tradicional Persa com a artista Farnaz Jahanbin e o pianista Tomas Gonzaga
Local: Despina | Largo das Artes
Horário: 19 horas

Conheça abaixo os artistas participantes

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Ali Zanjani é um artista iraniano que vive entre Dubai e Teerã. Os seus trabalhos refletem sobre a herança sociocultural do Irã ao longo das agitadas transformações políticas que ocorreram no país nos últimos 35 anos. Destaque para uma série bem humorada que inclui registros fotográficos de praticantes da luta livre, o esporte nacional iraniano. O esporte também faz parte de uma outra série, criada com base em fotografias perdidas de um time de basquete feminino, pré-revolução de 1979. Estas imagens de mulheres sem a burca são únicas e estritamente proibidas no regime político atual do Irã.

Desde 2011, Ali trabalha com o Museum Salsali de Dubai. Em 2012, teve o seu trabalho selecionado pelo Museu de Arte Contemporânea de Teerã e pela Feira de Arte de Beirute. Atualmente, o artista tem se dedicado a inúmeros projetos, incluindo “Live Moment of Wrestling”, “Life Is Too Short”, “Show Off” e “Just Between Us”.

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Amin Aghaei nasceu no Irã em 1982 e passou a infância sem uma moradia fixa, deslocando-se com a família pelo país devido à guerra Irã-Iraque (1980-1988). Esta natureza itinerante fez com que ele descobrisse o desenho, que acabou funcionando como uma válvula de escape às condições adversas por que passava. Quando seus pais puderam finalmente se estabelecer num local fixo, Amin conseguiu se concentrar mais em sua arte. Com a repressão política no Irã, começou a desenhar caricaturas e este estilo logo tomou conta de suas pinturas, por isso o tom crítico e humorístico de seus trabalhos. Além do desenho e da pintura, as suas práticas também compreendem escultura e vídeo. A obra de Amin assume um realismo mágico com uma temática sui generis para o Irã, daí este artista ter sido uma escolha unânime do comitê de seleção para este projeto.

Fica aqui registrado o nosso agradecimento especial a Azadeh Vafardari e Amirpasha Shafaei, que viabilizaram a presença de Amin no Brasil.

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Farnaz Jahanbin é uma artista iraniana reconhecida internacionalmente, que utiliza a escrita persa e árabe para criar interpretações modernas da antiga arte da caligrafia. Suas pinturas têm formas abstratas e apresentam interpretações mais tradicionais dessas escritas.

Farnaz é também uma cantora clássica persa. Como mulher em seu país, ela não tem permissão para se apresentar na frente de um público misto. No Rio de Janeiro, porém, a artista se apresentou ao público, entoando canções da música tradicional Persa num pequeno concerto que marcou a abertura da exposição “Iran_Rio Art Connection”. Conheça mais sobre o trabalho de Farnaz aqui.

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Shadi Ghadirian é uma importante artista iraniana cujo trabalho já foi exibido em grandes museus e galerias pelo mundo, incluindo o Museu de Belas Artes de Boston e o Los Angeles County Museum of Art. Nascida em 1974 no Teerã, Shadi estudou fotografia na Azad University. A sua prática artística busca refletir sobre as questões que envolvem o tradicional e o moderno na cultura do seu país, principalmente a questão da mulher muçulmana no Irã, um assunto que ainda repercute em todo o mundo.

Em “The Qajar Series”, realizada entre 1998 e 2001, Shadi fotografou mulheres vestidas com roupas tradicionais “Qajar”, justapostas com objetos modernos típicos da cultura ocidental, como um “boom box” ou uma lata de Coca-Cola. Já na série “Como todos os dias”, produzida logo depois de se casar, Shadi revela de maneira crítica e irônica a rotina mundana e repetitiva que é reservada à maioria das mulheres em seu país.

Estes trabalhos evidenciam a preocupação da artista em destacar o papel das mulheres iranianas dentro de uma sociedade em permanente conflito entre a tradição e o moderno. Para conhecer mais sobre Shadi e sua obra, visite o site: http://shadighadirian.com/

 

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IRAN-RIO ART CONNECTION
Conceito:
Consuelo Bassanesi, Leila Lak, Miguel Sayad
Direção executiva: Consuelo Bassanesi
Direção de produção: Leila Lak
Assistente de produção / arte e conteúdo multimídia: Frederico Pellachin
Suporte curatorial: Bernardo José de Souza
Comitê de seleção: Daniela Labra, Bernardo José de Souza, Ernesto Neto, Marta Mestre, Miguel Sayad.
Agradecimentos especiais: Rose Issa Projects, Azadeh Vafardari e Amirpasha Shafaie

Prince Claus Fund for Culture and Development é uma instituição holandesa que apoia artistas, organizações culturais e pensadores que atuam em locais onde a liberdade de expressão é limitada por conflitos, pobreza e repressão.