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Noite Estranha: cuidado, convivência, agência

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30.05.2018

Ato-intervenção concebido por Gabe Passareli, Marta Supernova, Clarissa Ribeiro e Lorran Dias, em diálogo com a vida, obra e poética de Matheusa Passareli, que aconteceu na Despina em 30 de maio de 2018.

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Construir nossos corpos a partir dos encontros. Convivências extraordinárias. Momentos gloriosos. Nem mais, nem menos. Convivência. Como produzir confluências a partir do encontro com outros corpos-intervenção? Habitar harmonicamente se faz necessário em contextos de extrema crueldade. Os conflitos são necessários em momentos de crise, possibilitaremos juntas a transformação. O encontro de corpos mistérios. Quem nos vigia? Quem nos cuida? Quem nos acompanha? Proposições de intervenções visando a desconstrução do conforto. Encontro. Habitaremos um mesmo espaço e respeitaremos as diferenças. Não expeliremos outros corpos que se aproximem de nós. Humano vs trauma. Desconstrução do limite imagético do corpo. Vamos utilizar a Despina como um espaço informal de cuidado e intervenção. Para isso, iremos lançar mão da convivência como dispositivo ético, político e estético.

Não permitimos o desespero
os objetos nos conectam ao vazio
preenchido pela ausência do corpo
terminal de atravessamentos poéticos
a gritaria se faz necessária
não posso gritar
como me controlar?
ordem
você é a ordem
PERMITIDO TOCAR NOS CORPOS
a pele é sensível e pode machucar
limites da convivência
inferno
experiência de
memória

a ausência do corpo acaba com o objeto

(por Gabe Passareli)

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Como criar um espaço-dispositivo de convivência, que entenda a responsabilização e o cuidado – de forma não-romântica -, como práticas decoloniais à Culpa e o Patriarcado, agindo como anticorpos contra uma ferida colonial intrínseca à sociedade?

Como a partir desta percepção, atravessar os ofícios em micro e macropolíticas possíveis para 1. um tensionamento das estruturas e imposições colonialistas 2. outras formas de sociabilização e alteridade, que compreendam o pensamento fronteiriço como um demarcador e conscientizador das diferenças entre “Eu” e “Outro”?

A quem cabe o quê, quando as mazelas sociais nos revelam as atrocidades dos processos históricos e entendemos que a subalternização, dominação e extermínio são mais do que fatos, legítimos processos contínuos? Como nos posicionar, sem nos isentar, da nossa parcela de responsabilidade sobre essas continuidades?

Quando problematizamos a histórica criação de símbolos, ícones, líderes e porta-vozes de movimentos sociais-midiáticos, descentralizamos as militâncias e ativismos, e construimos uma pauta partilhada que atravessa os caminhos de tod_s. Convidamos a olharem para seus limites que lhe garantam sua unidade, para entender suas conexões com o todo. Como garantir às vivências LGBT fronteiriças alguma estabilidade para formação profissional e circulação nessas cidades partidas que são as metrópoles, alimentadas por uma cultura de violência heterocisnormativa?

O mundo “pós-colonial”, em seu estágio capitalista global, com todas as suas superficialidades e sínteses de tempo-espaço está cada vez mais afetando a saúde mental pública e individual. Crises identitárias e representativas têm sido foco de discussões extensivas em um país cuja ferida colonial ainda se perdura de maneira extrativista, como no século XVI em diante.

O grande desafio parece encontrar ferramentas que tensionem as amarras capitalistas, possibilitem caminhos paralelos e posteriores à destruição do sistema vigente. Se a redistribuição da violência na luta anticolonial nos levam a processos destrutivos de símbolos e instituições; Como lidar com o por vir? Ou, o que vem depois do fim do mundo?

Uma Noite Estranha de Cuidado, Convivência e Agência

(por Lorran Dias)

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Agentes
Alexandre Rodolfo de Oliveira
Aline Beatriz
Allan Corda
Amandla Veludo
Ana Lira [PE]
Anarca Filmes
Anthonio Andreazza
Arlindo Oliveira da Silva
Augusto Bráz
Aun Helden
Atelier Gaia e Luta Antimanicomial
Baby Alien
Beatriz Lopes
Bianca Kalutor
Clarice Correa
Clarissa Ribeiro
Coletivo Seus Putos
Consuelo Bassanesi
Dani Gues
Daniel Santiso
Daniel Santos
Danitza Luna [Bolívia]
Enantios Dromos [SP]
Érica Supernova
Felipe Espíndola
Felipe Rivas [Chile]
Fred Pellachin
Frozen2000
Gabe Passareli
Gabriel Massan
Garotas Digitais
Gilmar Ferreira
Guilherme Altmayer
Igor Furtado
João Marcos Mancha
Jorge Maragaia
Ju Araújo
Leticia Santana
Lyz Parayzo
Lorran Dias
Lucas Afonso
Marielle Franco
Mario Celso Neto
Marta Supernova
Matheusa Passareli
Max William Morais
Natasha Ribas
Pablo Ferretti
Patricia Ruth
Qaete
Roberta Maria
Tertuliana Lustosa
Thayná Oliveira
Thaysa Paulo
Tombo
Ventura Profana
Verde
Vinicixs Davi
Yuji Romar
Yuri Landarin

Imagens e edição: Lucas Afonso
Edição e finalização: Clarissa Ribeiro

Galeria de Fotos  (navegue pelas setas na horizontal)
por Denise Adams

Esta ação fez parte do ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA, um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018). A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, oficinas, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas. Nesta terceira edição (2018), o projeto teve como tema “DISSENSO E DESTRUIÇÃO” e aconteceu entre maio e junho. Mais informações por aqui.