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Luisina Sosa Rey

Artistas em Residência
03.01.2017 - 31.01.2017

Nascida na Argentina, Luisina Sosa Rey vive e trabalha em Montreal, Canadá. É formada em Artes Visuais, com especialização em Pintura e Desenho pela Universidade Concordia.

Por meio do desenho, da instalação, da escrita e de diversas estratégias de “infiltração na realidade”,  seu trabalho funciona como uma meio de implementar experiências que renovam nossa atenção íntima e sensível em relação ao mundo.

Durante a sua participação no Programa de Residências Despina, a artista pretende se dedicar a uma forma de experimentação que explora o lúdico e o processual em conexão com o tempo cotidiano – situações de solidão meditativa que alimentam um diálogo introspectivo, além de ações e “tropeços” em materiais que ressoam de formas peculiares.

Sua pesquisa incide sobre as noções do “eu’ como uma construção social, sobre a permeabilidade da nossa existência e de que maneira podemos nos transformar através da alteridade e da adversidade.

Esta residência foi parcialmente financiada pelo Conseil des Arts et Lettres du Québec (CALQ) e Les Offices Jeunesse Internationaux du Québec (LOJIQ).

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Texto curatorial
por Bernardo José de Souza

Radicada no Canadá, filha de pais argentinos, Luisina Sosa Rey veio ao Brasil para empreender uma espécie de viagem interior, buscar pistas tanto para sua trajetória artística quanto afetiva. Neste sentido, os períodos de solidão e deambulação nos trópicos revelaram-se profícuos e inspiradores, ensejando pesquisas pessoais e autorais ao largo de sua residência no Rio de Janeiro.

Se sua relação com a pintura já anunciava uma preocupação com o espaço e com a intimidade, e também com a maneira como entes e objetos afetam nossas vidas e percepções sobre o mundo, suas experiências na cidade sinalizaram uma avidez pelas narrativas do afeto e da experiência fenomenológica, razão pela qual a artista seguiu por essas bandas observando os gestos e movimentos rotineiros, cotidianos (menores?).

Na Despina, sua produção relacionou-se sobretudo à observação do que se processa ao redor, à atenção ao movimento involuntário do corpo, às urgências do momento experimentado em toda a sua intensidade e abstração. Quando na praia, defrontou-se com a mensagem cifrada das ondas, às quais atribuiu uma confidencialidade única, inaudita. E esta relação de intimidade pouco mediada com a natureza a fez refletir sobre as nuances culturais e políticas que acabaram por informar a pesquisa aqui desenvolvida. Daí, a artista evoluiu para um confrontamento entre as questões insondáveis da alma e do corpo, este receptáculo de informações e sentimentos por vezes codificadas ou mesmo incompreensíveis.

Extratos de uma correspondência versando sobre as motivações íntimas e culturais,  que orientam as relacões entre sujeito e objeto nos trópicos, revelaram-se material a ser explorado numa futura pesquisa sobre a descontextualização dos códigos culturais e materiais que constituem a esfera política por onde transitamos. E as coreografias emotivas do corpo foram estudadas e captadas em vídeo de modo a formar uma espécie de alfabeto das limitações e expressões mais profundas do espírito humano, torturado ou refém de nossa extenuante tentativa de extrair sentido do constante embate corpo e alma.

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