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Alison Dunhill

Artistas em Residência
17.10.2015 - 17.12.2015

Alison Dunhill vive e trabalha entre Londres e Norfolk (Reino Unido). Formada em Belas Artes pela Reading University, tem mestrado em história da arte pela University of East Anglia. Já participou de inúmeras exposições coletivas em diversas galerias no seu país, entre elas a Menier Gallery, Café Gallery e Beardsmore Gallery (Londres), e na School House Gallery (Wighton); além de exposições individuais na Piers Feetham Gallery, Gallery Forty-Seven e Hampstead Theatre Gallery (Londres), e na Neptune Gallery (Hunstanton). Sua obra está presente em coleções em Tóquio, Rio de Janeiro, Paris e Toscana, bem como no Reino Unido. Já apresentou trabalhos em uma série de conferências acadêmicas e por mais de três décadas tem atuado como professora de artes na Hampstead School of Art, em Londres. Na década de 70, participou ativamente do círculo dos Situacionistas Internacionais em Florença, Itália. Foi a partir daí que temas como a psicogeografia despertaram seu interesse.

Durante a sua residência de dois meses Rio de Janeiro, Alison procurou expandir algumas práticas que já vinha desenvolvendo no Reino Unido. Seu ponto de partida foram objetos ‘encontrados’, ou seja, aqueles que nunca foram ‘procurados’ antes. Neste primeiro estágio, a artista coletou pequenos detritos de metal retorcidos e esmagados por veículos nas ruas do centro histórico do Rio de Janeiro. Ligando e justapondo estes objetos, Alison libertou-os de sua primeira função, na busca por um certo devir poético. Os melhores resultados ocorreram quando uma conexão visual foi ativada entre eles, por exemplo, um fragmento delicado de tule encontrando uma sintonia com vestígios de uma placa-mãe de computador. Estas conexões foram acionadas pela cor, textura ou tamanho.

A abertura para o acaso é essencial no processo de criação de Alison. Geralmente, a artista trabalha com inúmeras peças de uma só vez, jogando com a forma como os materiais e seus derivados podem interagir. A sua inspiração vem das teorias e práticas de André Breton (Nadja), das caixas de Joseph Cornell, das instalações de Sarah Sze, das colagens e da arquitetura de Kurt Schwitter, e, mais recentemente, da artista brasileira Fernanda Gomes.

Texto curatorial
por Michelle Sommer

O gesto mínimo da coleta do resto-resíduo encontrado nos entornos transforma-se em potência poética pelas mãos da artista Alison Dunhill. A delicadeza dos objetos reunidos ganham forma em leves instalações que suavemente tocam os planos da parede, do teto, do chão e dos suportes que os acolhem. Flutuantes levezas.

Nas proposições artísticas de Alison, somos convidados a explorar o universo que se descortina em suas peças e, hipnotizados, lá descobrimos que a forma deriva da unificação das partes de objetos ordinários. Entre metais, arames, telas maleáveis, tiras de tecidos diversos, pequenos pedaços de plásticos, reconhecemos estruturas do nosso cotidiano que, amarradas, são afetuosamente ressignificadas.

O ato de recolher e ressignificar aquilo que é considerado irrisório ou quase imperceptível, no resto-resíduo do que está aqui presente, no excesso de consumo da nossa sociedade contemporânea, torna-se arte do visível. E é justo aí, nas conexões possíveis que se dão no ato de expor – pensado a partir da tríade espaço-evento-movimento – que nos deparamos com ritmos espaciais da dança-coreografia ofertada por Alison. 

Barthes (1984) definiu o punctum como a picada, pequeno buraco, pequena mancha, pequeno corte, aquilo que punge, da ordem do inconsciente sensível. Explorando aqui a possibilidade de expansão do conceito, pensamos sobre aquilo que não está exclusivamente no objeto, mas sim no que reside na visão do espectador, na mobilização de afeto necessária para a operação do extracampo sutil, como se a artista nos lançasse o desejo para além daquilo que se dá a ver. Circulando entre as peças, há uma diversidade de punctuns e pontuais momentos de apoteose. A brasilidade, em cores e texturas (que belo elemento rosa-pink da escultura ao chão!) incorpora-se como experimentação do possível nas proposições da artista britânica. Eis então, os rastros do visível.

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BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

 

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