Compa – Arquivo das Mulheres

PROJETOS

Vem aí Compa – Arquivo das Mulheres, o primeiro arquivo digital colaborativo brasileiro totalmente dedicado à memória, histórias, lutas, conquistas, iniciativas, micropolíticas e revoluções cotidianas das mulheres e do movimento feminista no Brasil.

O arquivo se propõe a resgatar e disponibilizar publicamente e gratuitamente, por meio de site desenvolvido especificamente para o projeto, coleções e acervos de zines, panfletos, bandeiras, lambes, cancioneiros, camisetas, poesia, manifestos e demais registros e memorabilia que documentem, articulem e elaborem transdisciplinarmente essas narrativas e lutas em curso.

A coleção do arquivo está sendo construída primeiramente através de um trabalho de pesquisa e curadoria iniciado em setembro, para o qual convidamos mulheres e iniciativas que atuam em diferentes campos de ação para participar de um esforço de documentação destas memórias. Participam desta etapa inicial da criação do arquivo: Casa Nem, o coletivo de poesia Slam das Minas, o grupo de guerrilha gráfica feminista Vem pra Luta Amada, os movimentos Nossa Hora de Legalizar o Aborto RJ e 8M Brasil, a pesquisadora de zines feministas Camila Puni, o espaço de experimentações gráficas Parquinho Gráfico, a iniciativa Arte pela Democracia e a ativista criadora da placa Rua Marielle Franco.

Além deste arquivo visual, Compa – Arquivo das Mulheres também produzirá e disponibilizará uma série de cinco podcasts compostos por entrevistas com mulheres que tenham um histórico reconhecido de atuação nos campos de luta das mulheres.

Após o lançamento de Compa com o conteúdo inicial possibilitado por meio deste edital, o arquivo seguirá vivo e será construído coletivamente através da colaboração de mulheres e movimentos que se sintam convocadas. Organizações, coletivos, movimentos de mulheres, ativistas e feministas independentes poderão se registrar para disponibilizar seus acervos e materiais diretamente no arquivo. Dentro do escopo do projeto, será desenvolvido um tutorial para upload de conteúdo, uma espécie de guia passo a passo com treinamento e suporte para tornar os processos acessíveis. Para colocar em movimento este esforço coletivo de arqueologia das memórias das mulheres no Brasil, vamos mapear e conversar com organizações e redes que se engajem e difundam a realização do arquivo nacionalmente.

Compa se alinha e dialoga com projetos anteriores da Despina, por meio dos quais evidenciamos nossa disposição de trabalhar com narrativas e corpas invisibilizadas, nos lançando ao desafio de criar e executar projetos plurais, transdisciplinares e ativamente formadores nos campos das artes e do ativismo estético-político.

Conceitualmente, Compa (apelido para “companheira”, uma palavra carinhosa usada entre mulheres nas lutas) foi idealizado a partir de 3 pilares:

1 – O conceito de “history from below”, que olha para a história através da perspectiva das pessoas comuns, oprimidas, não conformistas e dos grupos marginais. Este projeto reconhece a importância de registrar a história de forma mais ampla e de colocar em protagonismo os conflitos que derivam da narrativa hegemônica, contada pelos grupos dominantes;

2 – O viés do feminismo interseccional, entendendo as lutas das mulheres como lutas contra opressões que se sobrepõem e que incluem para além do gênero questões raciais, de classe, de sexualidade e outras;

3 – O reconhecimento da coletividade enquanto um campo de atuação revolucionário e necessário não só ao projeto mas também a desenhos de mundo que sejam capazes de ressignificar a lógica excludente dominante.

Compa é uma realização da Despina com a colaboração da Lanchonete <> Lanchonete e foi patrocinado com recursos do Fundo Internacional de Ajuda do Ministério Alemão das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros: www.goethe.de/hilfsfonds