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Arte e Ativismo na América Latina – ano I (2016)

Projetos
Ano I - 2016

ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA é um projeto da Despina, realizado em parceria com a organização holandesa Prince Claus Fund, que se estende por três anos (2016, 2017 e 2018). A cada ano, um tema norteia uma série de ações que incluem ocupações, oficinas, conversas, projeções de filmes, exposições, encontros públicos com nomes importantes do pensamento artístico contemporâneo e um programa de residências artísticas. Nesta primeira edição (2016), o tema escolhido foi espaço público.

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Apresentação do tema
por Bernardo José de Souza e Consuelo Bassanesi

Os protestos “Anti-Mubarak” na Praça Tahrir, no Egito, os “Indignados” na Puerta del Sol, em Madri, o “Occupy Wall Street” no Liberty Plaza, em Nova Iorque, o “Protesto da Praça da Paz Celestial”, na Praça Tiananmen, em Pequim, as “Mães da Praça de Maio”, em Buenos Aires, o “Ocupa Cabral”, nas cercanias da casa do então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral – a importância dos espaços públicos para mobilizações políticas não é um fenômeno recente e toma diferentes formatos, mas é sempre na rua que os movimentos sociais tomam forma e ganham peso.

Para além disso, muitos dos direitos humanos, como liberdade de expressão, de reunião, de informação e de movimento, assim como o direito ao descanso e ao lazer, dependem da disponibilidade de espaço público físico. Sua ausência, assim como seu controle, são danosos e restringem as liberdades civis.

A noção de espaço público – enquanto aquele de uso comum e posse de todos – sofreu diversas construções e restrições ao longo dos séculos. A privatização e normatização dos espaços faz com que nem todo espaço “publico” seja de uso “do público”, e que estes espaços não sejam acessados de forma igualitária por todos os corpos nem por todas as pautas. Em teoria espaços comunitários e de cidadania, inclusivos e diversos; na prática os espaços públicos são cada vez mais controlados em seu uso, em nome de alguma posse, ordem, lei, códigos de conduta.

Manifestações políticas em espaços públicos não raramente no Brasil, na América Latina e internacionalmente, terminam com violência policial e criminalização dos manifestantes, vide o caso dos 23 ativistas brasileiros presos na véspera da Copa do Mundo no Brasil e posteriormente condenados por formação de quadrilha e por planejar protestos.

Nesta primeira edição, o tema do projeto Arte e Ativismo na América Latina girou em torno das diversas noções de espaço público, real ou virtual: como uma arena política onde debates, protestos e demandas emergem e ganham forma; como o ambiente onde diferentes culturas e classes sociais co-existem e colidem; como uma zona livre para lazer e expressão criativa; como o lugar onde as crenças pessoais e coletivas podem ser expressas e ouvidas pelas massas; como um espaço onde o conhecimento e a informação podem ser trocados; como um domínio onde os direitos civis e individuais são submetidos às sociedades disciplinar e de controle; ou mesmo como um território para a resistência cultural, no qual as comunidades devem ter acesso aos meios e infra-estrutura para o auto-desenvolvimento e auto-organização.

Buscamos promover um debate aprofundado sobre o tema e desenvolver uma série de ações públicas que buscassem desafiar a própria compreensão e uso do espaço público, convidando artistas e ativistas cujas práticas estão situadas nas fronteiras entre arte e política. Igualmente, nos interessamos por práticas que desafiam o papel das instituições políticas e culturais, no que tange à subversão da ideia da obra de arte como necessariamente uma construção da cultura material destinada a durar e para ser exibida em espaços de arte formais, destruindo a fronteira entre o dentro e o fora e buscando nas ruas o entendimento da relevância e das limitações dos espaços públicos.

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Os artistas selecionados para participar da residência em setembro e outubro de 2016 foram Crack Rodriguez (El Salvador), Jesus Bubu Negrón (Porto Rico) e Luciana Magno (Brasil). Durante esse período, a ideia foi trabalhar em uma variedade de modos informais de educação, como oficinas, palestras públicas, visitas a escolas / universidades e uma exposição. Além disso, uma série de eventos públicos aconteceu simultaneamente ao período da residência, com a participação de Tania Bruguera, Pablo León de la Barra, Roberto Jacoby e Suely Rolnik.

Os custos de participação dos artistas e convidados foram totalmente cobertos pelo Prince Claus Fund como parte de seu Network Partnership Programme, do qual Despina faz parte.

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PROGRAMAÇÃO

16 de setembro (20hs)
Conversa com a psicanalista e crítica cultural SUELY ROLNIK (disponível no vídeo a seguir)

29 de setembro (20hs)
Conversa com o artista argentino ROBERTO JACOBY

de 17 a 21 de outubro
Oficinas gratuitas coordenadas pelos artistas em residência

21 de outubro (18hs)
Conferência ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA na Casa França-Brasil
(em parceria com o Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ)

18 de outubro (20hs)
Videoconferência com a artista cubana TANIA BRUGUERA (mediação do curador Pablo León de la Barra)

28 de outubro (19hs)
Abertura da exposição “No Calor da Batalha!” com obras dos artistas CRACK RODRIGUEZ, LUCIANA MAGNO e JESUS BUBU NEGRÓN. Clique aqui para mais informações

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SOBRE OS ARTISTAS EM RESIDÊNCIA

Crack Rodriguez (1980) vive e trabalha em San Salvador, El Salvador. A sua prática e suas ações estão intimamente relacionadas com o contexto social e com a cultura popular, por onde ele constrói laços fortes com o público, que muitas vezes se torna elemento ativo e catalisador de suas obras no âmbito público.

É membro da “The Fire Theory”, em San Salvador. Em 2014, foi indicado ao prêmio “Emerging Artists Grant MISOL” – Fundação MISOL, Bogotá, Colômbia. Já foi membro da Summer Akademy Paul Klee (curadoria: Hassan Khan), em Berna, Suíça. Tem participado de várias exposições e projetos coletivos, entre eles: “Curating Agency” e “Agency for Spiritual Guest Work”, com curadoria de Anne Marca Galvez; “From the Tangible to the Intangible”, 4th Edition Nomadic Centro de Arte Contemporânea “Tropical Interzone” e “The Virtual Residency Programme”, em Zurique, Suíça; “Relocating SAL”, com curadoria de Claire Breukel e Lucas Arevalo, na Ernst Hilger Gallery, em Viena, Áustria; “Peripheral Spectacular”, com curadoria de Eder Castillo, na Cidade do México e “Poporopo Project”, na Cidade da Guatemala e la-embajada.org.; “Documenting Memory”, Art Center / South Florida (EUA); Performance Festival – acciones en el espacio publico, em Tegucigalpa, Honduras; “Landings 5”, Art Museum of the Americas, em Washington (EUA); “Landings 6 and 7”, Haydee Santamaria Gallery, Casa de las Americas, em Havana, Cuba; “Landings 8”, Taipei Fine Arts Museum, em Taipei, Taiwan. Exposições e projetos individuais incluem: “Circunstancias de los restos”, Lokkus Arte Contemporáneo, em Medellin, Colombia; “Neutropolitan Attack” Arts Festival Eclética, FEA, em El Salvador.

Mais informações
http://thefiretheory.org/crackrodriguez/

 

Jesus Bubu Negrón (1975) vive e trabalha em San Juan, Porto Rico. Seu trabalho é caracterizado por intervenções mínimas, pela recontextualização de objetos do cotidiano e por uma aproximação relacional com a produção artística como uma ação reveladora de proporções históricas, sociais e econômicas. Negrón vive no bairro de Puerta de Tierra, na capital de Porto Rico, San Juan, onde é parte da Brigada PDT, uma organização comunitária voltada para a preservação e bem-estar do bairro, da sua história e do seu povo.

Após a conclusão da sua primeira residência artística na M & M Proyectos em 2002, em Porto Rico, o trabalho de Negrón passou a circular em galerias e instituições ao redor do mundo,  em exposições individuais  e coletivas. Algumas de suas colaborações mais notáveis ​​incluem: Abubuya Km0 project, organizado pela Kiosko Galeria, Bolívia; The Obscenity of theJungle, em parceria com Proyectos Ultravioleta para a SWAB Barcelona, Espanha (2013); 1ª Bienal Tropical, em Puerto Rico (2011), onde foi premiado com o “Abacaxi de Ouro” – melhor artista; Interpretation of the Sonetode las estrella (curadoria: Taiyana Pimentel), na Sala de Arte Público Siqueiros, Mexico (2013); Trienal Poligráfica (curadoria: Adriano Pedrosa, Julieta González e Jens Hoffmann), em Puerto Rico (2009); Sharjah Biennial (curadoria: Mohammed Kazem, Eva Scharrer e Jonathan Watkins), em Sharjah, Emirados Árabes Unidos (2007); Whitney Biennial (curadoria: Chrissie Iles e Phillipe Vergne), em Nova York (2006);  T1 Torino Trienale (curadoria: Francesco Bonami e Carolyn Christov–Bakargiev), Itália (2005) e Tropical Abstraction (curadoria: Ross Gortzak), no Museu Steidelijk Bureau, em Amsterdam (2005).

Seu trabalho tem sido mencionado em grandes publicações como o Flash Art, New York Times, Journal des Arts, LA Times, The Art Newspaper, Art Nexus, Frieze, entre outros.

Mais informações
http://www.jesusbubunegron.com/

 

Luciana Magno (1987) vive e trabalha entre Belém e Fortaleza, Brasil. Graduada em artes visuais e tecnologia da imagem pela Universidade da Amazônia, Belém, e mestre em artes pela Universidade Federal do Pará, na mesma cidade. Trabalha com performance, frequentemente direcionada para fotografia e vídeo, objeto e website. Com uma pesquisa focada no corpo e em ações performáticas, a artista tem se dedicado a questões políticas, sociais e antropológicas, relacionadas ao impacto do desenvolvimento da região amazônica. A integração do corpo à paisagem e ao entorno é um elemento determinante e recorrente no seu trabalho. Suas obras já foram exibidas no Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza (2014); no Arte Pará, Museu de Arte do Estado do Pará, Belém (2014), onde foi artista premiada e no Museu de Arte do Rio de Janeiro (2013). Foi ganhadora da 10ª edição do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais com o projeto “Telefone Sem Fio”, que cruzou o país do Oiapoque ao Chuí por rodovias e hidrovias, a partir do qual se constituiu um arquivo de vídeo e áudio acerca da diversidade cultural, histórica e geográfica do Brasil.

Mais informações
http://www.lucianamagno.com

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GALERIA DE FOTOS (Navegue pelas setas na horizontal)
Fotos: Frederico Pellachin, Consuelo Bassanesi e Thiago Pozes

 


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ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA – ANO I (2016)

Concepção e direção do projeto
Consuelo Bassanesi

Concepção e desenvolvimento do tema
Consuelo Bassanesi e Bernardo José de Souza

Interlocução Curatorial
Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Produção, Comunicação e Documentação
Frederico Pellachin

Assessoria de Imprensa
Rafael Millon

Gestão Financeira e Jurídica
Clarice Goulart Correa

Assistente de Produção
Pablo Ferretti

Comitê de Seleção (Programa de Residências)
Consuelo Bassanesi, Bernardo José de Souza e Pablo León de la Barra

Logomarca e Design Gráfico (publicação)
Pablo Ugá

Fotos (abertura da exposição)
Thiago Pozes

Agradecimentos
Alexandre Rodolfo de Oliveira, Alexandre Sá, Bernardo Mosqueira, Bertan Selim, Helena Celestino, Leila Lak,  Pablo León de la Barra, Prince Claus Fund.

 

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