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Amanda Selinder

Artistas em Residência
18.11.2015 - 18.12.2015

Amanda Selinder vive e trabalha em Gotemburgo, Suécia. Graduanda em Artes, com especialização em fibra pela Universidade de Artesanato e Design de Gotemburgo. Por um ano, participou de um intercâmbio em parceria com a School of Visual Arts (SVA), em Nova York. A prática de Amanda transita entre a arte e a biologia. Crescimento, sustentabilidade e envelhecimento estão entre os temas centrais do seu trabalho. Atualmente, a artista investiga as possibilidades de desenvolver seus próprios materiais, seus próprios pigmentos de cor. Para tanto, tem buscado inspiração na natureza, na vida cotidiana e no acaso associado a ambos. A matéria em mutação, que se permite envelhecer, é um de seus principais interesses. Serigrafia, instalação, escultura e performance estão entre os meios que utiliza para apresentar seus trabalhos. Durante o período de sua residência no Rio de Janeiro, que contou com o financiamento da August Ringnérs Scholarship, a artista explorou as cores e os materiais locais e testou algumas possibilidades de arranjo entre eles, por meio da costura, entre outras combinações. Amanda também compõe canções no estilo folk-country do seu país e que abordam questões inerentes à sua experiência de vida. Além de apresentar seus trabalhos na mostra final de residências (que aconteceu em 18.12.2015), Amanda interpretou algumas de suas canções para o público, acompanhada por um violão acústico.

Texto curatorial
por Bernardo José de Souza

A artista sueca Amanda Selinder pesquisa materiais orgânicos para desenvolver projetos que transitam entre a arte e o artesanato. Interessada na natureza perecível de frutas e vegetais, ela lança luz sobre a relação que o homem vem estabelecendo com o meio-ambiente no mundo contemporâneo, ativando valores estéticos e morais que, em certa medida, remetem ao movimento Arts & Craft, e em especial à sua preocupação em humanizar a sociedade industrial.

Nascida na Escandinávia, uma das regiões mais desenvolvidas e igualitárias do globo – particularmente preocupada com questões ecológicas -, Selinder incorpora as aspirações de uma sociedade que vê no design um meio para simplificar e tornar belo o mundo ao redor, algo somente possível em países cuja população tem garantido o acesso absoluto às necessidades essenciais de seus cidadãos.

Em alguma medida, a artista flerta com aspectos estéticos e culturais que vem sendo explorados pela literatura solarpunk, um novo gênero de ficção científica onde o cenário futuro reverbera pontos do pensamento utópico-vitoriano de William Morris e combina energias verdes a uma renovada apreciação de práticas como jardinagem e artesania.

Nesta mostra, Selinder apresenta sua pesquisa com corantes naturais, extraídos de plantas encontradas no Rio de Janeiro, quer seja em caminhadas pelo Jardim Botânico ou mesmo em trilhas pela Mata Atlântica. Em suas peregrinações, a artista recolhe espécies que, posteriormente por ela são tratadas de modo a permitirem o tingimento de tecidos de fibras naturais. Assim, suas práticas artísticas, artesanais e cotidianas concorrem à construção de um mundo mais orgânico em relação à produção e ao consumo.

 

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