Paulo Aureliano da Mata

Artistas em Residência
01.05.2019 - 31.05.2019

Vive e trabalha entre Portugal e Brasil. Desde 2010, tem explorado uma série de procedimentos artísticos com ênfase na pintura expandida, mesclando a sua autobiografia com outras histórias reais e ficcionais, reunindo elementos da literatura, da cultura contemporânea, da história da arte e de mitologias de civilizações diversas.

Em grande parte de suas produções, utiliza o seu corpo como sujeito e objeto por meio do recurso da tatuagem, a qual é apresentada como uma “prótese sentimental”, cuja mediação é possibilitada por dispositivos diversos, tais como o da fotografia, do vídeo e do texto.

Quando iniciou o seu mestrado em Artes Plásticas (com vertente em escultura) em 2017 – e já arrebatado pelo trabalho da atriz e dançarina Loïe Fuller -, começou a construir objetos a partir de uma das patentes de vestido de dança de Fuller. Passou a conceber, então, objetos tridimensionais envolvendo têxtil, pintura e escultura com auxílio de tintas, tipos diferentes de cola, papéis e restos de bonecas estilhaçadas. E em meio ao reaproveitamento dos restos, reutilizando conscientemente o dito lixo e não ignorando os evidentes impactos ambientais que presenciamos no nosso dia a dia, o artista ressalta a escolha do papel como um material que lhe traz certo aconchego, pois alude aos seus diários, cadernos e livros. Desta forma, torna-se um material invisível na solidificação estabelecida, a qual acaba por se assemelhar à cerâmica em sua configuração.

Mais informações
Web site: http://ciaexcessos.com.br/da-mata/biografia/
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Texto crítico, por Ulisses Carrilho

Nem a cor amarela presente na série de pinturas em pequeno formato apresentadas por Paulo da Mata, nem o dourado que dá cor a outros trabalhos e detalhes da mesma série apaziguam a busca pelo sol vindouro citado pelo artista na frase pintada sobre a parede do espaço de seu ateliê, como intervenção. Muito embora os trabalhos em tela tenham se constituído numa lógica processual, de livre investigação da cor — o que contrasta com a metodologia projetiva de vários trabalhos seus, pensados como capítulos de um longo romance — arriscaria de antemão relacionar estas pinturas com o auxílio de uma palavra inscrita em uma delas: caos.De caráter informe, como poderiam também sugerir as bordas vacilantes da tipografia empregada pelo artista, este vazio primordial, tanto indefinido quanto ilimitado, propiciou o nascimento de todos os seres e realidades do universo. Mesmo a ordem é precedida pelo caos e desta relação temporal mais complexa — note que a palavra “serão” resguarda um futuro que acontecerá em breve, uma promessa sem escalas, em pouco tempo — surge esta epígrafe, cujas tintas tornam-se provocadoramente políticas à luz do contexto político recente.

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Galeria de Fotos (navegue pelas setas na horizontal)
por Frederico Pellachin